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O Grupo Estado inaugura nesta segunda-feira, 2, uma nova fase em sua trajetória de quase 145 anos de jornalismo de qualidade: uma transformação na forma de produzir e de distribuir conteúdos, em diálogo permanente com o leitor que vive em uma sociedade em rede. A inovação ocorre após um ciclo de três anos de planejamento e preparação da empresa, batizado de projeto Estadão 21. Esse processo teve como norte reafirmar o jornal impresso como pilar fundamental, com mais profundidade e análises, e expandir a presença digital do Grupo em todas as plataformas.

Atualmente, o Estadão é o jornal impresso de São Paulo com a maior circulação nacional, segundo dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC). Nos últimos quatro anos, o Grupo ampliou sua base de assinantes digitais, com alta de 206%, entre julho de 2015 e o mesmo mês deste ano.

"A gente iniciou esse processo de transformação em 2017, criando a área de estratégias digitais, fazendo investimentos de mais de R$ 60 milhões em tecnologia, ferramentas, pessoas e novos produtos digitais", explica o diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto. "Passamos pela área de assinaturas, pela área de mercado publicitário e, agora, é a vez de a transformação chegar às nossas redações."

A mudança que se inicia amanhã contou com a consultoria da espanhola Prodigioso Volcán, que liderou projetos semelhantes em veículos internacionais. Foi precedida também de visitas de profissionais do Estadão a dez jornais, nos Estados Unidos e na Europa.

Para o presidente do Conselho de Administração, Roberto Crissiuma Mesquita, o Grupo Estado vive um momento de muita energia positiva. "Iniciamos um processo de transformação digital da nossa redação", afirma. "Estamos colocando o leitor como centro da nossa atenção, buscando tudo de melhor que a tecnologia tem para atender o que estamos chamando de sociedade em rede."

Jornada do leitor

A nova redação multiplataforma do Estadão passa a funcionar com as equipes em operação reforçada desde as primeiras horas da manhã, com foco na jornada do leitor e em suas necessidades informativas. A produção do noticiário será feita observando a distribuição nos diversos canais de consumo de informações dos usuários, como celular, site estadão.com.br, podcasts, newsletters e redes sociais, buscando o diálogo com a audiência durante todo o dia.

Uma equipe especial foi destacada para preparar as reportagens que estarão, no dia seguinte, nas páginas da edição impressa de O Estado de S. Paulo, com a qualidade e o rigor informativo que há quase um século e meio são a marca do jornal.

Segundo João Caminoto, diretor de Jornalismo, a missão do Grupo Estado sempre foi produzir jornalismo de excelência atendendo às demandas do leitor. "Nesse mundo de internet, essas demandas mudaram e nós também estamos nos transformando, neste momento de maneira bem incisiva, por meio de uma transformação de nossos processos de produção e também de nossos produtos", explica Caminoto.

Esses avanços digitais na redação exigem que seja feita uma mudança em todos os processos de trabalho dos jornalistas. "Quando a gente pensa a informação, já pensa em que forma a gente vai enviar essa informação em cada um dos canais de distribuição", afirma Rafaela Campani, consultora da Prodigioso Volcan.

Entrevista com Mario Tascón: 'Uma mudança para atender os leitores'

O leitor que surge a partir do crescimento das redes sociais e da existência dos fóruns de debates leva a uma necessidade de transformação na produção jornalística. A opinião é de Mario Tascón, diretor-geral da Prodigioso Volcán, empresa espanhola de consultoria em comunicação que planejou a transformação digital na redação do Estadão e de jornais internacionais, como o El País. Abaixo, a entrevista:

O que muda exatamente no 'Estadão' nesta fase de transformação digital?

O Estadão começou a mudar há muito tempo. Em 2017, começou a trabalhar e pensar como poderia fazer uma mudança que é imprescindível para todos os meios de comunicação, todos os jornais. Depois de vários aprimoramentos no mercado anunciante e uma mudança significativa no tratamento aos assinantes, agora a transformação chega mais forte à redação, na maneira de preparar e entregar seus conteúdos, com foco em adequá-los aos novos canais informativos e à jornada do leitor: a informação tem de ir para as redes sociais, para o computador, para celulares e podcasts. Os hábitos de consumo de informação mudaram. A transformação digital pretende atender esses novos leitores, sem descuidar da credibilidade e da excelência jornalística do Estadão.

O 'Estadão' muda de patamar no mercado leitor?

Sim, muda porque tem de levar muito mais em conta as diferenças no consumo das pessoas. Já sabemos que os leitores do Estadão não consomem somente informação no papel, mas também se utilizam de outros canais. Isso implica mudanças na maneira de produzir conteúdo, como alterações nos horários da redação, por exemplo, porque o leitor espera que o Estadão acompanhe os acontecimentos 24 horas por dia.

Como o sr. vê o leitor brasileiro em relação ao de outros países?

Na verdade destacaria pontos que têm em comum, mais do que as diferenças. O leitor brasileiro tem um consumo muito grande de redes sociais. Há alguns anos, era diferente, mas agora outros países já se aproximam dos índices de consumo de informações nas redes sociais dos brasileiros. O uso do celular como fonte de informação é muito importante. Vamos lembrar que 70% das pessoas usam o telefone como seu principal meio de informação. Isso é muito alto.

A presença desse novo leitor leva à necessidade de alteração na produção jornalística?

Sim. Tem de fazer uma mudança muito importante. Não é mais somente preparar a informação para publicar no dia seguinte, mas a todo momento e da forma que o leitor julgar a mais adequada. Isso, claro, leva a mudanças na redação. Há necessidade de mudanças físicas na estrutura da redação. Muda também a forma de trabalhar.

O que muda objetivamente?

A base do jornalismo não muda. Informar da melhor forma possível, mais verdadeira, com credibilidade. O que muda bastante é que não é mais um monólogo. Agora, com as redes sociais, com mecanismos dos fóruns, a audiência quer dialogar. Antes, o jornalista achava que o leitor queria escutar, mas nesses anos aprendemos que o que as pessoas querem é falar, participar. Isso nos obriga a aprender a trabalhar com esse diálogo. O propósito não muda. As sociedades seguem precisando que os jornalistas ofereçam informações precisas e com credibilidade. É verdade que no mundo há uma crise de confiança no jornalismo. Aqui no Brasil se via nas ruas que as pessoas não confiavam em jornalistas. E os meios de comunicação não têm outro propósito que não seja a credibilidade. Esse é o seu valor. Temos de fazer bom jornalismo, defendê-lo e ser transparentes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.