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O estoque de Certificados de Operações Estruturadas (COEs) subiu 21,9% no volume registrado ontem ante o montante visto no final de março de 2018. A expectativa, porém, é de que os prazos maiores de vencimento limitem a demanda pelo produto neste ano.

Os últimos dados da B3 apontam que o estoque total de COEs alcançou R$ 17,85 bilhões na data de ontem contra os R$ R$ 14,642 bilhões vistos no último dia útil de março do ano passado.

De acordo com o responsável pela área de produtos da DTVM Ourinvest Fernando Fridman, a alta veio acompanhado da queda da taxa básica de juros (Selic) observada desde 2016 – de 14,25% ao ano (a.a.) para os atuais 6,5% a.a..

“A Selic nesse patamar faz com que os investidores estejam mais dispostos a receber risco e busquem maior rentabilidade, migrando pelo menos parte do seu capital para renda variável”, comenta.

O executivo reitera, porém, que o estoque da modalidade ainda é “muito pequeno”. “Deve demorar um pouco para que os COEs cresçam mais, mas se continuarmos nesse patamar de juros, é bem provável que a modalidade se popularize”, acrescenta Fridman.

Já segundo o diretor da Ativa Investimentos, Fabio Assumpção, no entanto, os baixos juros também têm feito com que emissores precisem esticar o prazo de vencimento dos COEs lançados para que seus retornos sejam “viabilizados”.

Os COEs são investimentos que combinam atributos de renda fixa e variável, com retornos atrelados a ativos e índices (como inflação, câmbio e ações nacionais e internacionais), selecionados conforme o perfil de cada investidor.

“O produto cresce mais pelo conhecimento do que pela taxa de juros porque, apesar do maior apetite a risco, os emissores têm menos dinheiro para poder operar as opções [em derivativos], o que dificulta fazer um COE que tenha uma alavancagem maior”, explica. “É preciso pesar se a proteção do investimento compensa o capital retido por longos períodos”, completa Assumpção.

Para a sócia e responsável pela mesa de derivativos da XP Investimentos, Maitê Kattar, o alongamento dos prazos – que foram de dois para quatro ou cinco anos –, foram positivos no cenário de apostas das estruturas montadas. “Como os juros caíram muito, é difícil fazer COEs com capital protegido, por exemplo. Mas é um movimento positivo, já que muitas das estruturas que montamos são ligadas à fundos no exterior, que são investimentos de longo prazo”, diz.

Ativos internacionais

Nessa linha, ainda que o otimismo quanto ao mercado doméstico esteja maior, grande parte dos COEs montados pelos emissores são relacionados a ativos internacionais.

De acordo com o sócio do banco digital Modalmais, Ronaldo Guimarães, o apelo da modalidade entre os alocadores é a facilidade para acessar o mercado no exterior sem a dificuldade de mudança de moeda, pagamento de impostos internacionais ou risco cambial.

“Existe uma demanda interessante para operações de alta e baixa do Ibovespa, mas investimentos alocados nas bolsas americanas e COEs voltados para commodities também mostram um bom destaque”, avalia o sócio.

“Antes das eleições, 90% dos COEs que estruturávamos eram relacionados a ativos no exterior. Agora, a demanda está bem voltada para o mercado brasileiro, mas é preciso entender que o COE não é um produto e sim um veículo que permite acesso a outros investimentos. A modalidade é incipiente no País e tem um forte potencial para crescer”, conclui Kattar, sócia da XP.