Falta clareza na estratégia comercial do governo federal para o longo prazo

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) chegou nos Estados Unidos, dando início às viagens diplomáticas; porém, especialistas têm dúvidas sobre pragmatismo da agenda do Itamaraty

As primeiras viagens diplomáticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) refletem uma mistura de interesses comerciais e econômicos, com um movimento de alinhamento ideológico, avaliam especialistas consultados pelo DCI. Para eles, o governo tem começado a sair do seu discurso de campanha em alguns temas no campo das relações comerciais, porém ainda falta clareza sobre qual será a estratégia de longo prazo para estabelecer acordos e fortalecer parcerias. Ontem Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos (EUA), dando início à agenda diplomática que seguirá pelo Chile e Israel, além da Cúpula do G-20 no Japão em junho. Para o segundo semestre, está sendo programada uma viagem para a China.

Amanhã (19) Bolsonaro se reúne com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington e, até o momento, a única confirmação é de que deve ser assinado um acordo de salvaguardas tecnológicas para utilização da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O professor do curso de Relações Internacionais da FAAP, Carlos Gustavo Poggio, tem dúvidas, porém, sobre o pragmatismo dessa agenda. Na avaliação dele o governo brasileiro ainda tem se focado muito na figura de Trump para se aproximar dos EUA, o que é um equívoco. Poggio conta que, o processo de negociação do Nafta entre o México e os EUA nos anos 1990, não se deu apenas a partir de conversas com o então presidente do país George W. Bush. Para negociar o Nafta, o México estabeleceu relações com o Congresso, com as câmaras de comércio e com institutos de pesquisas norte-americanos. Nesses processos, a figura do presidente talvez seja a menos importante#201d, afirma Poggio. A grande questão é que nós não estamos vendo o governo Bolsonaro montar esta articulação. Nem mesmo no âmbito doméstico isso foi feito. Porém, se o Brasil quer estabelecer uma relação de longo prazo com os EUA, deve repetir o exemplo bem sucedido de países como o México. Do contrário, só teremos resultados de curto prazo#201d, destaca Poggio. Ampliação da pauta Assim como com os EUA, a professora de relações internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, vê na viagem do governo ao Chile um movimento de alinhamento ideológico que, neste, caso, trata-se de uma aproximação com fortes economias liberais.  De outro lado, a professora destaca que o fortalecimento das relações com o Chile é importante para a inserção comercial do Brasil com a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru). Além disso, Holzhacker diz que o Chile é um mercado potencial de ampliação de exportação de bens industriais. Depois de um discurso de campanha eleitoral bastante avesso à presença econômica chinesa no Brasil, Bolsonaro confirmou que viajará ao país. Para a professora da ESPM, essa decisão vem na esteira da pressão da bancada ruralista do Congresso, que é base de apoio do governo. Além de ser o principal comprador do Brasil, a China é um importante investidor para os programas de concessões e privatizações. No final de março, o governo chega à Israel. Para o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Clayton Pegoraro, a principal pauta econômica a ser tratada com o país será a troca de tecnologia na área de segurança e armamento.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Mais detalhes