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Faltou trabalho para 27,929 milhões de pessoas no País no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

A Pnad foi divulgada na última sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que a taxa composta de subutilização da força de trabalho passou de 23,9% no trimestre até novembro de 2018, para 24,6% no trimestre até fevereiro deste ano.

Esse contingente de pessoas subutilizadas é recorde na série da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Para Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o fato de o mercado de trabalho ter “quase 30 milhões” de pessoas subutilizadas é pior do que os 13 milhões de desempregados.

“Estamos nos aproximando de ter 30 milhões de pessoas subutilizadas, com quase 5 milhões de desalentados. Estamos perdendo o bônus demográfico”, afirmou Azeredo.

A taxa composta de subutilização da força de trabalho inclui a taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas que estariam disponíveis para trabalhar. No trimestre até fevereiro de 2018, a taxa de subutilização da força de trabalho estava mais baixa, em 24,2%.

Desalento

O Brasil tinha 4,855 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre encerrado em fevereiro. O contingente manteve o nível recorde da série histórica do IBGE iniciada em 2012. Em um ano, 275 mil pessoas a mais caíram no desalento. Em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2018, o resultado significa 150 mil desalentados a mais.

A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade. Se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial.

Outros dados do IBGE mostram que a taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,4%. Em igual período de 2018, a taxa de desemprego estava em 12,6%. No trimestre até janeiro de 2019, a taxa ficou em 12,0%.

Já a renda média real do trabalhador foi de R$ 2.285 no trimestre encerrado em fevereiro. O resultado representa alta de 0,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 205,416 bilhões no trimestre até fevereiro, alta de 2,0% ante igual período do ano anterior.

O contingente de trabalhadores ocupados com carteira assinada no setor privado ficou em 33,027 milhões de pessoas, 66 mil a mais do que no trimestre imediatamente anterior, terminado em novembro, mas uma queda de 99 mil trabalhadores ante um ano antes, sinalizando para o fechamento de vagas formais na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro de 2018.

Ao mesmo tempo, o contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado aumentou em 367 mil pessoas na passagem do trimestre terminado em fevereiro do ano passado para o trimestre encerrado em fevereiro deste ano. Já na comparação com o trimestre terminado em novembro de 2018, o total de trabalhadores sem carteira no setor privado diminuiu em 561 mil pessoas, 4,8% a menos.

Além disso, um total de 644 mil indivíduos aderiram ao trabalho por conta própria no período de um ano. No trimestre encerrado em fevereiro de 2019, esse contingente atingiu soma de 23,779 milhões de pessoas. /Estadão Conteúdo