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Na tentativa de aumentar o market share, as fintechs passam a intensificar as parcerias entre si e a criação de subsidiárias. O objetivo é oferecer um “pacote de serviços” mais completo e competitivo aos clientes e, a tendência, é uma maior “interconexão”.

Em entrevista recente ao DCI, a CEO da BCredi, Maria Teresa Fornea afirmou que o grande impulso para este movimento no mercado foi o fato de que a grande maioria das startups financeiras são voltadas a um único nicho de atuação no sistema.

“Diferente dos bancos, que conseguem agregar diversos serviços na hora de uma concessão de crédito, por exemplo, muitas fintechs são monoprodutos. Começamos a ver um movimento de parcerias entre fintechs para que houvesse a oferta de pacotes com condições melhores do que aqueles que existem nas prateleiras do mercado”, diz.

A expansão das iniciativas por meio de cooperação já acontecia tanto com bancos como com plataformas de tecnologia. Em agosto último, por exemplo, a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) firmou uma parceria com a plataforma Saque e Pague para facilitar o acesso de iniciativas à unidades de autoatendimento em cerca de 18 estados do País.

De acordo com o diretor presidente da Saque e Pague, Givanildo Luz, essas iniciativas acabam sendo “grandes aliadas” ao mercado financeiro, principalmente na criação de uma “interconexão” voltada principalmente para a bancarização de regiões onde os bancos não alcançam.

“A estrutura das instituições financeiras é mais cara que a das fintechs e o baixo custo de captação acaba sendo um forte apelo dessas iniciativas. Além disso, há um mercado muito grande de desbancarizados que podem ser absorvidos pelo sistema”, comenta Luz.

Lugar ao sol

Os especialistas também pontuam que a cooperação das startups financeiras não se limita apenas em projetos voltados para o consumidor final. Segundo o conselheiro da ABFintechs, Guilherme Horn, por exemplo, muitas das parcerias também são feitas para melhorar a operação das iniciativas.

“Como muitas delas são focadas em nichos específicos, existem algumas dores da operação que elas não conseguem sanar”, explica Horn, exemplificando casos de fintechs de crédito, por exemplo, que muitas vezes não têm a solução para análise de risco.

“Nesse sentido, criar um modelo de parceria onde uma iniciativa complementa o serviço ou o produto da outra acaba sendo muito frequente no mercado. Isso não só melhora a solução como também promove, inclusive, uma maior base de informações e, consequentemente, custos menores ao consumidor”, acrescenta.

Na mesma linha, muitas iniciativas também criam – ou até mesmo já nascem – com subsidiárias dentro da operação. Segundo a CEO do Pitaia Bank, Simone Abravanel, esse movimento acaba equiparando os produtos ofertados startups financeiras àqueles vistos nas prateleiras dos bancos.

“Uma das dores do mercado é exatamente o de conseguir sanar um único problema, o que acabava afastando os clientes que procuravam facilidade. Assim, uma das alternativas é organizar uma estrutura interna que oferecesse todos os serviços de forma fácil e rápida e com um custo muito mais atrativo”, comenta.

Ela ainda destaca que, no caso do Pitaia, além dos POS, do cartão e da corretagem, a iniciativa também deve trazer a opção de empréstimos aos seus clientes neste ano.

Já para a Co-CEO da Bela Pagamentos, Rochelle Silveira, o movimento é intensificado pela percepção de maior valor agregado e menos custos às fintechs, que conseguem melhorar processos e aumentar as vendas e contratações.

“Todo o mercado percebeu que não é mais uma questão de lutar por seu lugar ao sol, mas de trazer vantagens operacionais e ao consumidor final. Tivemos esse trabalho dentro da Bela Pagamentos e a ideia de ser um conjunto de empresas que entregam uma solução melhor trazem muito mais valor ao mercado”, diz.

Aceitação dos grandes

Já entre as expectativas para este ano, os especialistas ressaltam tanto a melhor aceitação dos grandes bancos pelas iniciativas financeiras como a maior atuação do Banco Central na regulamentação. “O open banking, por exemplo, trará uma maior gama de serviços e consolida uma maior pulverização do sistema financeiro e os bancos vendo as fintechs como aliadas e não concorrentes”, afirma Luz.

Para Horn, da ABFintechs, o movimento é uma forte tendência para 2019. “Hoje, muitas fintechs nascem para cooperar com outros e essa é a expectativa. Na medida que o sistema amadurece, as parcerias devem aumentar de todos os lados, porque as soluções passam a ter uma validação maior no mercado”, conclui.