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A maior demanda por risco e a entrada de novos players no mercado pressionará gestoras a criarem produtos de ações e multimercados. A expectativa é que as receitas com administração de fundos ganhem destaque nos grandes bancos.

Só no ano passado, por exemplo, as receitas com administração de fundos nos quatro maiores bancos do País (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander) somaram R$ 14,708 bilhões, um aumento de 12,5% em relação ao observado em 2017 (R$ 13,077 bilhões).

De acordo com o superintendente de produtos da Bram (Asset Management do Bradesco), Ricardo Eleuterio, tanto em 2018 quanto já nos dois primeiros meses deste ano, o movimento de clientes saindo de “fundos de baixa complexidade” em busca de maior risco já começou.

“O cliente começa a tomar mais risco e, olhando para 2019, já vemos essa tendência acontecer. Esse novo cenário, trouxe um posicionamento multiproduto e multiestratégia na Bram”, afirma o executivo.

Já segundo o diretor institucional da Infinity Asset, André Paes, a procura por renda variável vem tanto dos investidores já acostumados a empregar recursos em fundos de investimento, como também de alocadores mais conservadores.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apontam que em dezembro de 2018 o patrimônio líquido total dos fundos de investimento alcançou R$ 4,611 trilhões, alta de 11,1% em relação a igual mês de 2017, quando era R$ 4,15 trilhões. “Na medida que o mercado buscar maiores rentabilidades, teremos gestores criando opções mais específicas para os investidores”, comenta Paes.

Dentre os principais destaques, além dos fundos de ações e multimercados, bastante influenciados pelo maior otimismo na bolsa de valores e no maior apetite para ativos de risco, outra aposta dos gestores é em carteiras de crédito privado. Para o sócio e estrategista da TAG Investimentos, Dan Kawa, porém, podem existir dificuldades no avanço da modalidade no curto prazo.

“Há possibilidade de surgirem novos produtos, mas especificamente no crédito privado, já existem problemas. Vemos demanda pelos papéis, mas ainda não há oferta o suficiente. Isso pode trazer algumas limitações no curtíssimo prazo, mas já no segundo semestre devemos ver uma melhora nesse quesito”, comenta o especialista e reitera que, de qualquer forma, algum tempo é necessário para que o “quadro técnico possa se ajustar”.

“Ao se montar um fundo do zero, pode ser difícil de conseguir alocar papéis com um retorno atrativo logo no início. Mas com a agenda econômica do Brasil avançando, as privatizações e maior busca por esses ativos, a expectativa é que de três a seis meses pra frente comecemos a ver uma melhora”, acrescenta o especialista.

Ao mesmo tempo, apesar de os especialistas descartarem possíveis mudanças nas taxas de administração cobradas por essas gestoras e uma diminuição no ticket médio das carteiras, a pressão por fundos mais sofisticado deve crescer.

“Estamos sempre olhando quais os produtos têm maior demanda no mercado para que, se houverem lacunas, possamos corrigir rapidamente. A busca é por uma grade cada vez mais completa e que atenda a todos os tipos de investidores e perfis de risco”, complementa o presidente da Bram, Ricardo Almeida.

Receita bancária

Já quanto aos resultados dos grandes bancos, o analista da Planner Corretora, Victor Martins, comenta a possibilidade de que as receitas relacionadas à administração de fundos comecem a ganhar maior espaço, principalmente ante ao cenário de crédito do País, onde os bancos públicos diminuem a sua participação e as grandes empresas passam a migrar para o mercado de capitais na busca por financiamentos.

“O cenário macroeconômico favorece a mescla de investimentos e essa indústria adquire uma importância cada vez maior dentro do contexto dos bancos”, conclui Martins.