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Questões políticas e de governança podem dificultar o processo de privatização de empresas estatais nos governos estaduais. Apesar disso, a avaliação é de que, do ponto de vista financeiro, os cinco principais estados possuem ativos com alta atratividade.

As 72 estatais presentes nos estados de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Minas Gerais (MG), Rio Grande do Sul (RS) e Paraná (PR) possuem, juntas, por exemplo, um faturamento anual de R$ 107,8 bilhões, lista a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto.

Somente as sete empresas estaduais do PR geram um faturamento de R$ 28 bilhões, sendo que a maior parte (R$ 22 bilhões) vem da Companhia Paranaense do Paraná (Copel). Já em MG, há 11 empresas com receita bruta anual de R$ 28 bilhões, enquanto em SP, temos 21 estatais que geram R$ 25 bilhões.

No RS, por sua vez, são 13 estatais com faturamento de R$ 22 bilhões, enquanto no RJ, 20 empresas com R$ 4,8 bilhões. “Já tem muita gente na fila de espera das privatizações estaduais. Investidores estrangeiros e nacionais”, destaca Pasianotto.

Já o professor de estratégia do Insper, Sérgio Lazzarini, comenta que os problemas de governança das empresas estaduais podem prejudicar a atratividade. “Em geral, a percepção é de que as estatais federais se organizaram melhor e melhoraram sua governança de forma mais intensa nos últimos anos, muito em função do trabalho da secretaria de estatais [SEST]”, diz Lazzarini.

“Esse esforço, em geral, foi menor em nível estadual e municipal, o que tende a reduzir a atratividade das empresas para potenciais investidores – muito embora, em alguns casos, tenhamos estatais mais transparentes e negociadas em bolsa [como a Sabesp]”, complementa o professor.

Lazzarini ressalta ainda que, a nível estadual e municipal, há também um problema da dependência do emprego e investimento local. “Tradicionalmente, em algumas regiões, a população se emprega nas estatais e os políticos usam as estatais para apoiar seus projetos pessoais”, diz Lazzarini.

Pasianotto, por sua vez, comenta que os riscos políticos e econômicos são inclusos nos estudos de valor de mercado e viabilidade de transferência do ativo para a iniciativa privada. Nesse sentido, a economista-chefe da Reag avalia que estados como SP, PR e MG possuem risco político menor do que o Rio e RS, por exemplo.

Sinalizações

Em São Paulo, já foi sinalizada a possibilidade de privatização ou aumento da capitalização da Sabesp. Ontem, o governador de SP, João Dória (PSDB), chegou a se reunir com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Na ocasião, o ministro destacou que quer acelerar os processos de privatização e concessão junto com SP, com destaque para a construção da Ferroanel, concessão da rodovia Rio-Santos (BR-101) e o projeto do trem de passageiros Intercidades.

Já no RJ, o governador Wilson Witzel (PSC) afirmou que quer impedir a venda da Companhia Estadual de Água e Esgotos (Cedae), exigida como condição da União para concessão de ajuda financeira ao estado – no âmbito do Regime de Recuperação Fiscal. Para ele, a Cedae é estratégica.

No RS, o governador Eduardo Leite (PSDB) disse que a privatização do Banrisul não é prioridade de seu governo. Porém, considera a possibilidade de venda da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás). Já o governador de Minas, Romeu Zema (Partido Novo), avalia a privatização de subsidiárias da Cemig, como a Taesa.