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A lentidão da atividade econômica neste início de ano, frustrando analistas e provocando revisões para baixo das estimativas para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), pode sofrer um golpe adicional, caso os caminhoneiros façam uma paralisação do mesmo alcance da greve do ano passado, avalia o economista-chefe da Necton, André Perfeito.

"O potencial estrago de uma greve dos caminhoneiros no PIB do segundo trimestre poderia levar a economia brasileira a míseros 0,77% de alta neste ano", indica o economista, em nota a clientes.

A Necton revisou para baixo a projeção de alta do PIB do primeiro trimestre, de 0,28% para 0,15%, o que leva o PIB fechado do ano a uma alta de 1,06%, relata Perfeito. "Para atingirmos 1,06%, projetamos alta de 0,28% no segundo trimestre, seguido de altas de 0,4% e 0,5%, respectivamente", explica, antes de detalhar o impacto potencial de uma nova paralisação.

"Em 2018, o efeito da greve aconteceu no final de maio, castigando fortemente o PIB industrial", lembra o economista, citando a desaceleração do PIB, de 0,41% no primeiro trimestre para 0,05% no trimestre seguinte à paralisação. "Assumindo de forma bastante conservadora que o efeito nas Contas Nacionais seja 30% menor do que o registrado em 2018 e que após o choque o PIB volte a crescer, o indicador do segundo trimestre recuaria 0,15% e depois subiria 0,4% e 0,5% (mesmo ritmo do cenário base), o PIB fecha 2019 em 0,77%", calcula Perfeito.

O economista-chefe da Necton aponta ainda que, por mais que faltem sinais e movimentações mais sérias dos caminhoneiros em relação a uma possível greve, ao menos por ora, "a queda da atividade seria abrupta o suficiente para forçar o BC a cortar os juros já neste ano".