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Em menos de três anos de atuação, o Grupo Bitcoin Banco (GBB) já responde por mais de 90% da movimentação brasileira de criptomoedas – mais de R$ 4 bilhões por dia. O objetivo da exchange curitibana é tornar cotidiano o uso do ativos entre os consumidores.

A empresa, além de se estabelecer fisicamente para atendimentos presenciais dos seus mais de 100 mil clientes, também desenvolveu uma moeda virtual própria e estimula, com frequência, o maior conhecimento sobre os criptoativos, a fim de incentivar a criação de uma cultura sobre o tema.

A principal característica das moedas virtuais é a descentralização. Ou seja, o processamento e a verificação das transações são realizados de forma coletiva na rede.

Não há necessidade de uma autoridade central que supervisione o mercado de criptomoedas, cuja a mais famosa é o bitcoin. Atualmente, este ativo corresponde a cerca de R$ 34,6 mil.

Segundo o fundador do GBB, Cláudio Oliveira, sua diferença entre os concorrentes foi apostar no mercado empresarial. Para isso investiu em uma estrutura física. “Eu não faço o negócio de criptomoedas só para os entusiastas desse assunto”, afirma.

No começo, Oliveira sentia a necessidade de ganhar a confiança dos empresários. “Eu colocaria meu dinheiro nisso? Não. Porque está por trás de computadores, não tem ninguém para ligar.” Para suprir esta demanda, o executivo montou uma estrutura física, com um escritório “comum” ao meio corporativo e uma equipe de atendimento.

Como precisava contar com uma plataforma digital para compra, venda e troca dessas moedas, o GBB adquiriu a NegocieCoins, atualmente líder no País. Para garantir rentabilidade aos primeiros usuários, Oliveira revela que ele mesmo negociava os ativos em diferentes exchanges, ganhando, assim, com o spread, que é a diferença entre o valor de compra e de venda.

De forma semelhante à Bolsa de Valores, as transações são feitas de uma pessoa para outra. Porém, a alta volatilidade torna o negócio mais atrativo para os aventureiros. A diferença em relação aos pregões tradicionais, é que uma mesma criptomoeda pode sofrer leves alterações de preços entre diferentes exchanges.

A grande variação de preço em um curto espaço de tempo, porém, é o que dificulta o uso dessas moedas no dia a dia.

Lastro em ouro

Para combater essa volatilidade, o Grupo Bitcoin Banco criou neste mês a Br2Ex, uma moeda virtual lastreada em ouro. Cada unidade da moeda tem equivalência inicial a um grama de ouro e varia junto aos preços do metal.

“Esse é um dos passos que estamos dando para chegar ao ponto de as pessoas utilizarem [os criptoativos] no cotidiano”, explica Brunno Ramos, diretor de operações do GBB.

Com a popularização da Br2Ex, a intenção da companhia é incluir esse ativo nas discussões realizadas com pessoas leigas no assunto.

Além de realizar palestras pelo Brasil ensinando sobre a tecnologia e o uso dessas criptomoedas, o GBB também busca empresas parceiras para facilitar seu uso prático.

Exemplo disso é a parceria com o cartão Opa, vinculado à NegocieCoins. O acordo permite que o detentor venda seus ativos e transfira o valor para o cartão pré-pago em segundos.

O usuário terá taxa de transferência de 0,5% sobre o montante da operação, mais R$ 2 fixos por transação para o cartão pré-pago. Por exemplo, em uma venda de R$ 1 mil, serão desembolsados R$ 7. Esse tipo de parceria se faz necessária principalmente porque os bancos tradicionais não aceitam as criptomoedas, já que o uso delas não é regulado.

Regras do jogo

O Grupo Bitcoin Banco não é regulado pelo Banco Central. No entanto, Oliveira defende que as exchanges deveriam seguir normas. “As empresas que trabalham com criptomoedas deveriam ser regulamentadas e ser monitoradas pela CVM [Comissão de Valores Mobiliários], por exemplo”, defende.

Caso acontecesse essa regulamentação do ambiente das plataformas, a companhia não sofreria alterações. O fundador do GBB dividiu a companhia dando uma importância grande para a parte jurídica, contando com uma equipe de compliance e até ex-delegado da Polícia Civil na equipe. Ele diz ainda que a empresa trabalha em parceria com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Apesar da atividade não ser regulamentada, os criptoativos devem ser declarados no imposto de renda. De acordo com o GBB, o contribuinte deve ser o mais objetivo possível ao declará-los para a Receita Federal. Informações como a data e o valor de aquisição, além de quem ou onde os ativos foram adquiridos são esperadas pelo Fisco.

Não há regras sobre valores mínimos e máximos, porém, é aconselhável declarar sempre para ter um histórico fiscal patrimonial. Demonstrar que seus bens e direitos foram formados ao longo de vários exercícios fiscais e que guardam proporção com sua renda é ideal, uma vez que o Fisco tende a interpretar mal as mudanças patrimoniais abruptas.