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As empresas de capital fechado no Brasil estão em estágio inicial de desenvolvimento da governança corporativa, mas vale destacar que são essas companhias estão adotando a iniciativa de buscar boas práticas para seus negócios.

É o que se percebe da primeira pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativo (IBGC) sobre empresas de capital fechado, divulgada ontem, em São Paulo, no 20° Congresso do IBGC com o tema Fator Humano e Era Digital. “Vejo um volume gigantesco de empresas de capital fechado instalando Conselhos de Administração nos próximos anos”, prevê o presidente do conselho do IBGC, Henrique Luz.

Em entrevista à imprensa, Luz contou que há aproximadamente 15 mil empresas de capital fechado no Brasil, a maioria grupos familiares – de porte pequeno até grande – que estão demandando ao IBGC, informações sobre boas práticas de governança. “Vamos ter um mercado de capitais mais confiável “, apontou Luz sobre essa transformação nos próximos anos.

O presidente contou que três pilares explicam essa busca por boas práticas. “A Preparação para Venda, mostrar a noiva para entrar na igreja; a Sucessão, os descendentes que foram estudar em Oxford ou outras universidades [no exterior] e retornam com essa cultura; e a possibilidade de Captação de recursos. Quem possui governança, paga menor taxa de juros, os grandes bancos enxergam a governança”, ilustrou o presidente.

Segundo o primeiro levantamento feito com 103 empresas, a pontuação média – numa escala de 0 a 100 pontos com base nas práticas adotadas pelas empresas participantes – foi de 34,6 pontos. “Em nosso levantamento das companhias de capital aberto, essa média fica em torno de 50 pontos”, comparou Luiz Martha, gerente de pesquisa e conteúdo do IBGC.

Questionado pelo DCI, sobre a média obtida por porte, Luiz Martha exemplificou que as pequenas obtiveram 19 pontos; as médias, 26,6 pontos; as médias/grandes, 39,9 pontos; e as grandes, 46 pontos. Outro recorte, as 8 estatais (de capital fechado) que responderam a pesquisa obtiveram 45,2 pontos; e grandes grupos familiares alcançaram 34,4 pontos na avaliação.

“As estatais (8%) que participaram mostraram a melhor governança. Entre todos os participantes, a dimensão Sócios é a mais aprimorada, e a dimensão Conselhos é a menos desenvolvida”, disse Luiz.

Privatização em discussão

Henrique Luz revelou que o IBGC e demais agentes de mercado estão participando de um grupo de trabalho de iniciativa do secretário especial de desestatização, Salim Mattar, para discutir a governança nas empresas públicas. “As 34 estatais abertas tem ótima governança, de 134 estatais federais. No total são 440 empresas públicas entre federais, estaduais e municipais. As pessoas estão conversando sobre como contribuir para a governança pública”, disse o presidente.