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Com uma alta de 0,90% o Índice Bovespa alcançou a marca inédita de 100.303,41 pontos. Para isso, contou com investidores reforçando as apostas de cortes de juros os EUA e na expectativa pela reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

“Não foi apenas o Fed. Foi o BCE ontem (terça), o Copom hoje (quarta) e também o Banco do Japão, que tem chances reais de cortar os juros esta noite”, disse Alvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais. O economista afirma que a tendência de afrouxamento monetário e outros estímulos econômicos pelo mundo beneficia os mercados emergentes em diversos aspectos.

Bandeira também apontou o cenário político doméstico como positivo, com indicação de que o relatório da reforma da Previdência pode ser votado na comissão especial na próxima semana, tornando crível a previsão de votação no plenário até 15 de julho, antes do recesso parlamentar. “A alta recente do Ibovespa vai chamar alguma realização de lucros, mas a tendência primária ainda é de alta, principalmente se houver suporte ao encaminhamento da reforma e se o cenário externo se acalmar”, afirmou o economista, apostando na sustentação do novo patamar.

Na análise por índices setoriais da B3, o principal destaque do dia ficou com os papéis do Iconsumo (ICON), que subiu 1,44%, em boa parte puxado pela expectativa de que o Copom sinalize a possibilidade de cortes da taxa Selic este ano. As ações do setor financeiro também se destacaram e deram suporte à alta do Ibovespa. Banco do Brasil ON subiu 1,65%, Bradesco ON ganhou 2,33% e Itaú Unibanco PN teve alta de 1,58%.

Mercado cambial

O dólar teve, na última quarta-feira, a segunda queda consecutiva e fechou em R$ 3,8492 (-0,30%). Assim como terça, foi o cenário externo que determinou o ritmo das cotações locais. A sinalização pelo Fed de que pode cortar os juros em breve fez a moeda norte-americana zerar a alta e passar a cair, renovando mínimas.

Em dia de noticiário local esvaziado, com o foco em Brasília na participação do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em audiência pública no Senado, o mercado de câmbio teve oscilações contidas e poucos negócios até o final da reunião do Fed, às 15 horas. Após o comunicado sinalizar que metade dos dirigentes espera um corte este ano e que um dos dirigentes do Fed votou para cortar as taxas já nesta reunião, o dólar passou a cair no exterior e o movimento se replicou aqui.

“A possibilidade de corte de juros pelo Fed fez o dólar zerar a alta aqui”, destaca o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. Na quarta, o presidente da comissão especial, Marcelo Ramos (PL-AM), disse que a percepção é que há “apoio tranquilo” para aprovar o texto na comissão. “Acredito que vamos votar na próxima semana”, avaliou Ramos.

Os juros futuros de médio e longo prazos abandonaram a alta mostrada desde o início da sessão e passaram a cair com a leitura dos sinais emitidos pelo Federal Reserve. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou na mínima de 6,085%, de 6,073% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2021 terminou em 6,03%, ante 6,019%. No miolo da curva, a taxa do DI para janeiro de 2023 caiu de 6,961% para 6,91%. Nos longos, a do DI para janeiro de 2025 passou de 7,501% para 7,42%. /Estadão Conteúdo