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O Ibovespa fechou em alta de 1,09%, aos 95.364,85 pontos na sexta-feira, ante um noticiário mais favorável sobre a reforma da Previdência e uma melhora em Nova York, apesar de dados da China e EUA endossarem apreensão no ritmo da economia mundial.

O giro financeiro somou R$ 16,3 bilhões. Na semana, mais curta em razão do Carnaval, avançou 0,8%. Após uma abertura negativa, pressionado pelo exterior, o Ibovespa passou a oscilar no campo positivo frente a novas declarações do presidente Jair Bolsonaro defendendo a reforma da Previdência, que considera ser possível aprovar no primeiro semestre.

A alta acelerou após o ministro da Economia, Paulo Guedes, na qual ele disse que Bolsonaro “fará sua parte” para garantir a aprovação da reforma ainda neste ano e que o mapeamento do governo indica faltar apenas 48 votos para a reforma passar na Câmara dos Deputados.

“O mercado está tentando acreditar na agenda propositiva de 2019”, afirmou o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, destacando também fala do presidente da Câmara dos Deputados sobre a instalação na CCJ na próxima semana. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que marcou para a quarta-feira a instalação da comissão.

No começo do pregão, o Ibovespa recuou mais de %, indo abaixo de 94 mil pontos, conforme números sobre as exportações chinesas e a criação de empregos nos EUA em fevereiro acentuaram temores sobre o ritmo do crescimento econômico global. Em Wall Street, o S&P 500 também reduziu as perdas, o que ajudou na melhora doméstica, fechando em baixa de 0,2%.

Entre as blue chips, Petrobras terminou em queda de 0,37% (PN) e 0,75% (ON), contaminada pelo declínio dos preços do petróleo no exterior. Vale, por sua vez, encerrou com leve queda de 0,2%. No setor financeiro, Itaú Unibanco (PN) fechou com alta de 1,19%, enquanto Bradesco PN subiu 1,39%, Banco do Brasil avançou 3,51% e as units do Santander ganharam 0,89%.

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O dólar, por sua vez, encerrou em queda de 0,37%, cotado aos R$ 3,8702, com a reforma da Previdência no foco do mercado e investidores ainda cautelosos com a tramitação da matéria. No pregão, oscilou entre R$ 3,8505 e R$ 3,9043. Na semana, a divisa avançou cerca de 2,4% frente ao real.

Há razoável cautela entre agentes financeiros de que o governo não está dando a devida atenção à reforma da Previdência, o principal objeto de atenção de investidores locais e estrangeiros. “O que deixa o mercado mais nervoso é que o governo está mostrando que não está muito focado na reforma, está se deixando levar por outros assuntos políticos, meio eleitorais”, afirmou um operador de uma instituição financeira nacional.

Antes do fim de semana, participantes do mercado se desfazem de certas posições, precavendo-se no caso de surgir alguma notícia relacionada à Previdência, afirmou o operador. Com perspectivas ainda instáveis do lado doméstico, o cenário externo, onde há certa aversão ao risco ligada a temores de menor crescimento da economia global, continua tendo forte impacto nas negociações no mercado local.

O Banco Central vendeu 14,5 mil swaps cambiais tradicionais, equivalente à venda futura de dólares. Assim, rolou US$ ,175 bilhões dos US$ 12,321 bilhões que vencem em abril. /Reuters