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O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em novo recorde histórico, o décimo de 2019. No fechamento teve alta de 1,53%, aos 96.558,42 pontos. Na máxima, o índice foi a 96.560 pontos (+1,53%) também uma máxima histórica no intraday. O giro foi de R$ 14,3 bilhões.

As perspectivas reformistas e pró economia de mercado reforçadas por ministros em Davos e em Brasília colaboraram para esse desempenho, segundo um operador do mercado de ações.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a prioridade número um é a reforma da Previdência. “Precisamos consertar o antigo sistema e introduzir um novo, fazendo a transição para o modelo de capitalização”, disse. Na avaliação dele, o governo Bolsonaro “foi eleito por conta da agenda econômica”.

Guedes também afirmou que será possível levantar US$ 20 bilhões com privatizações e zerar o déficit neste ano. Em complemento, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que o governo planeja realizar o leilão do excedente de petróleo do pré-sal no terceiro trimestre de 2019. A estimativa de arrecadação com a cessão onerosa, seria de R$ 100 bilhões.

A entrevista de Guedes sucedeu à decepção e surpresa de agentes do mercado e da imprensa com o cancelamento de pronunciamentos de Bolsonaro e ministros, previstos na programação do Fórum Econômico. Fontes do governo afirmaram que o presidente decidiu abdicar de alguns compromissos de uma agenda muito pesada. Ao suspender os eventos, Bolsonaro acabou evitando encarar inevitáveis perguntas sobre o escândalo com seu filho Flávio Bolsonaro. A líder do ranking de maiores altas do Ibovespa ontem foi a Kroton ON (+7,33%).

Mercado cambial

O dólar quebrou uma sequência de seis altas seguidas e fechou com a maior baixa em 13 sessões, recuando 1,13%, para R$ 3,7624. A queda da moeda americana em vários países emergentes, como Turquia, México e África do Sul, ajudou a retirar pressão no câmbio aqui, mas o dólar bateu mínimas na parte da tarde com declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Além disso, a declaração de Jair Bolsonaro, garantindo que a reforma da Previdência vai ao Congresso já na primeira semana de trabalho dos parlamentares, levaram investidores a desmontar posições mais defensivas em dólar, ressaltam operadores, que destacam ainda um movimento de venda da moeda por exportadores, assim que o dólar bateu na máxima do dia, a R$ 3,81.

Assim, o cancelamento da entrevista coletiva acabou não afetando os preços. Ao contrário, o risco-país teve retração, também ajudando a retirar pressão do câmbio. O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil caiu a 172 pontos-base, ante 176 do fechamento de terça, segundo a IHS Markit.

Dados divulgados ontem pelo BC mostram que o ingresso de dólares este mês ainda está tímido. Até o dia 18, o fluxo cambial é positivo em US$ 1,2 bilhão. No mesmo período do começo de 2018, entraram US$ 4,4 bilhões líquidos.

Nos juros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2020 fechou em 6,46%, ante 6,47% do ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 projetou 7,20%, de 7,23%. O vencimento de janeiro de 2023 terminou a 8,29%, ante 8,35% da véspera. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2025 projetou 8,79%, de 8,86%. /Estadão Conteúdo