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O Ibovespa operou toda a sexta-feira, 21, em alta firme e bateu novo recorde histórico, acima dos 102 mil pontos, mesmo em um pregão pós-feriado, fraco de notícias locais. Na semana passada, o índice acumulou ganho de 4,05%, a maior alta desde dezembro.

Operadores destacam que o otimismo dos investidores, mesmo depois de o Ibovespa ter rompido a barreira dos 100 mil pontos na quarta-feira, foi embalado na sexta-feira por um ajuste das ações, após a B3 não operar na quinta-feira e o S&P 500 bater recorde, além da crescente possibilidade de corte de juros em breve nos Estados Unidos pelo Federal Reverve (Fed, o banco central dos EUA) e do aumento da chance de votação da reforma da Previdência antes do recesso parlamentar na Câmara.

A expectativa dos agentes agora é para o encontro no Japão, durante a reunião do G-20, entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping. O tema principal é discutir a situação comercial das duas maiores economias do mundo. "A reunião pode moderar as tensões comerciais, mas o timing de um acordo final vai permanecer altamente incerto", ressaltam estrategistas em Nova York do Citibank.

Para o analista da Terra Investimentos Régis Chinchila, a sinalização de que os bancos centrais nos EUA e em outras partes do mundo desenvolvido podem reduzir juros é positiva para o Brasil, pois o país pode atrair mais capital externo.

Internamente, destaca ele, o mercado passou a ficar mais otimista com a tramitação da reforma da Previdência e a chance de votação na Câmara em julho. "O Ibovespa está embutindo a aprovação da Previdência e o fluxo novo de capital para emergentes", disse ele. Pela análise gráfica, o Ibovespa pode testar os 107 mil pontos e os 115 mil com a aprovação da reforma das aposentadorias.

Segundo fontes, está a caminho um acordo entre o Planalto e a Câmara para votar o texto antes do recesso. Neste sentido, um gestor de renda variável destaca que o Banco Central, ao deixar claro na quarta-feira no comunicado da reunião de política monetária que o corte de juros só virá com aprovação da reforma da Previdência, oferece uma pressão a mais para os deputados votarem logo o texto.

O Ibovespa fechou em alta de 1,70%, aos 102.012,64 pontos. Na B3, o volume de negócios desta sexta foi de R$ 18,6 bilhões, considerado bom entre um feriado e um fim de semana, normalmente marcado por fraca liquidez.

Dólar em baixa

Influenciado sobretudo por um enfraquecimento global, o dólar fechou a sexta-feira com a terceira queda consecutiva, em R$ 3,8252, em baixa de 0,62% e no menor patamar desde 10 de abril. Com isso, na semana, a moeda acumulou queda de 1,90% ante o real.

A perda de fôlego tem como principal pano de fundo a decisão de política monetária do Fed de quarta-feira passada, que indicou que os EUA podem não estar longe de um novo corte na taxa de juros, confirmando uma expectativa do mercado e retirando pressão sobre moedas emergentes.

Além disso, um dos pontos de tensão que pesava sobre os ativos globais foi aliviado após o presidente Donald Trump ter cancelado ataque autorizado quinta à noite ao Irã. "O mercado deixou o lado geopolítico de lado e ficou olhando os números que justificavam dólar para baixo", disse. Ajuda o real ainda uma alta no preço do petróleo./Estadão Conteúdo