Publicado em

Os ajustes nos ativos norte-americanos, em meio às discussões sobre a política monetária dos EUA, potencializaram o movimento de realização de lucros do Ibovespa. O índice encerrou em queda de 1,21%, aos 103.451,93 pontos.

No cenário doméstico, a agenda esvaziada manteve os investidores na expectativa pelo anúncio de medidas de estímulo à economia brasileira, enquanto aguardam a retomada da tramitação da reforma da Previdência.

A queda foi generalizada entre as blue chips, mas se destacou entre as ações do setor financeiro, onde as perdas superaram 2%. Esses papéis contaram ainda com a influência de notícia de que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci teria dito à Polícia Federal que bancos fizeram repasses de R$ 50 milhões ao PT em troca de favores nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Os bancos citados negaram irregularidades nas doações.

“O principal fator do dia foram as discussões sobre política monetária dos Estados Unidos, com os mercados reagindo aos sinais emitidos pelos dirigentes do Fed. O mercado brasileiro aproveitou um pouco o sinal negativo das Bolsas em Nova York para realizar lucros acumulados desde maio”, disse Felipe Silveira, analista da Coinvalores.

Lá fora, o principal movimento foi de correção dos efeitos causados pela fala “dovish” de quinta-feira do presidente da distrital do Fed de Nova York, John Williams, que teria acenado com um corte de 0,5 ponto percentual nas taxas básicas dos Estados Unidos.

Além do “desmentido” do Fed, que afirmou que a fala de Williams foi “acadêmica”, na última sexta-feira outros dois dirigentes com voto nas reuniões do BC americano fizeram discursos mais compatíveis com uma elevação de 0,25 ponto nas taxas dos fed funds.

O Ibovespa acumula alta de 2,46% em julho. No ano, o ganho chega a 17,71%. Na análise por ações, o destaque ficou para Itaú Unibanco PN (-2,60%), Bradesco PN (-2,26%) e units do Santander (-2,59%).

Mercado cambial

Em uma semana marcada por baixo volume de negócios e agenda local fraca, o dólar acumulou alta de 0,2% e fechou a sexta-feira em R$ 3,7458.

A moeda norte-americana acabou corrigindo o movimento de ontem, quando caiu para o menor nível em cinco meses. No exterior, o dólar subiu ante divisas fortes e de países desenvolvidos, com o aumento da aposta de Wall Street de que o Fed vai cortar os juros em 0,25 ponto percentual.

No mês, o dólar recua 2,46% e o real é uma das divisas que mais ganha valor perante a moeda. Apesar da alta da semana passada, estrategistas ainda veem potencial de valorização do real pela frente. Os estrategistas de moedas do Bank of America Merrill Lynch afirmaram estar “construtivos” no real e veem a moeda a R$ 3,70 no final do ano.

Em um pregão morno e de liquidez muito reduzida, as taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão regular muito próximas dos níveis vistos no fechamento anterior.

Entre os DIs mais curtos, o contrato para janeiro de 2020 encerrou o pregão a 5,675%, ante 5,689% na sessão anterior. Na parte intermediária da curva, DI para janeiro de 2021 passou de 5,528% para 5,53%, enquanto o DI para janeiro de 2023 subiu para 6,38%, ante 6,35% no ajuste anterior. Entre os contratos longos, DI para janeiro de 2025 passou de 6,93% para 6,94%. /Estadão Conteúdo