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Em alta pelo segundo pregão consecutivo, o Ibovespa fechou aos 95.414,55 pontos, com ganho de 1,09% no dia e de 1,79% na semana. Já o mês de março, marcado pelo alcance do patamar histórico dos 100 mil pontos, o índice terminou com baixa de 0,18%.

O mercado brasileiro de ações manteve na última sexta-feira, o tom positivo da véspera e teve novo pregão de alta, sustentada pelo alívio com o arrefecimento da crise política. Embora o clima de tensão entre Executivo e Legislativo tenha diminuído sensivelmente, o investidor preferiu manter ativado o "modo cautela", à espera de avanços concretos na reforma da Previdência. Com isso, dizem os analistas, o mês de abril começará com as atenções focadas nas datas cruciais para o avanço da matéria no Congresso.

Para Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos, a chegada pontual do índice aos 100 mil pontos (no dia 18) refletiu um momento em que o mercado demonstrava confiança no avanço da reforma da Previdência, embora não houvesse fator concreto que validasse essa aposta.

Agora, afirma, o otimismo deve continuar, mas não com o ímpeto que se viu nos dias que antecederam a crise política. O motivo é simples: a qualquer momento um novo atrito político pode surgir. "A melhora da bolsa desde quinta-feira se baseou em fatores concretos que não existiam antes. A definição do ministro Paulo Guedes (Economia) como principal articulador da reforma e de Marcelo Freitas (PSL-MG) como relator da reforma na CCJ foram importantes e jogam as expectativas para 17 de abril, quando se espera a votação da admissibilidade da proposta", afirmou a analista.

Nessa semana que se inicia, as atenções devem se concentrar na audiência com Paulo Guedes na CCJ da Câmara, que deveria ter ocorrido na última terça-feira (26). Segundo o relator, deputado delegado Marcelo Freitas, seu relatório será apresentado no dia 9.

Na análise por ações, os ganhos foram liderados pelos papéis de mineração e siderurgia, que avançaram alinhados com a forte valorização do minério de ferro no mercado à vista Chinês. A commodity, por sua vez, sofreu influência da redução da previsão de produção da Vale. A ação da mineradora brasileira terminou o dia com ganho de 3,31%. Também se destacaram CSN ON (+3,64%) e Usiminas PNA (+3,72%). O setor financeiro também contribuiu, BB ON subiu 1,46%. No exterior, as bolsas de valores de Nova York (EUA) registraram alguma instabilidade, mas terminaram os pregões próximas das máximas.

Mercado de câmbio

O dólar fechou março acumulando alta de 4,33%. Foi a valorização mensal mais alta desde agosto de 2018, quando a moeda americana subiu 8,23% em meio às incertezas antes das eleições. O aumento das preocupações sobre os rumos da reforma da Previdência no Congresso, aliado a um cenário externo mais desafiador, pressionou o câmbio ao longo das sessões. Na sexta-feira, o dólar à vista fechou estável, a R$ 3,9160 (-0,01%). Já a Ptax (a média do BC) fechou em queda de 1,80%, a R$ 3,8967.

Na semana passada, o dólar acumulou alta de 0,37%, mas não reflete o nervosismo de alguns dias, quando superou a marca de R$ 4 e voltou a patamares de antes das eleições em meio a uma série de notícias negativas, com a troca de farpas entre Maia e Bolsonaro. No primeiro trimestre, o dólar subiu 1,05%. /Estadão Conteúdo