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Depois de ter testado pontualmente o patamar dos 95 mil pontos, o Ibovespa fechou aos 94.588,06 pontos, em alta de 0,01%. Os negócios somaram R$ 9,9 bilhões.

A expectativa por definições do cenário político colocou um freio nos negócios com ações ontem, e o Ibovespa fechou estável, em um pregão de liquidez bastante reduzida. Estiveram no radar do investidor de bolsa a votação da admissibilidade da reforma da Previdência, prevista para amanhã, terça-feira, (23), e ainda o risco de greve dos caminhoneiros.

Apesar de sustentar a aposta de que a reforma avançará nesta semana, o investidor mantém a cautela por conta das movimentações dos partidos de oposição e do chamado "Centrão". O temor é de que manobras estendam demasiadamente o processo ou que levem a uma prematura desidratação da proposta do governo. Uma das manobras que a oposição estuda na tentativa de obstruir a sessão é pedir uma nova fase de discussões se o parecer do relator Marcelo Freitas (PSL-MG) for alterado, o que demandaria mais tempo de análise.

Outro foco de preocupação ficou com o imbróglio dos preços do diesel, iniciado pela interferência do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras. Mesmo com o anúncio de um pacote de medidas para o setor e de um reajuste do diesel menor que o anunciado inicialmente, o governo não conseguiu até agora afastar a possibilidade de uma greve dos caminhoneiros, que ameaçam parar no próximo dia 29.

A cautela com o risco de greve se sobrepôs às fortes altas dos preços do petróleo e as ações da Petrobras tiveram desempenho fraco, o que ajudou a tirar o fôlego do Ibovespa. Ao final do pregão, Petrobras ON teve alta de 0,36%, enquanto Petrobras PN caiu 0,58%.

"Há a preocupação com a possibilidade de greve, mas o mercado não crê na possibilidade de um movimento com a mesma dimensão daquela vista no governo anterior. Por mais que em alguns momentos haja decisões dúbias, o governo está mais alinhado ao mercado e não está fragilizado como o governo passado. Há uma estabilidade maior", disse Álvaro Frasson, da Necton.

O noticiário corporativo também influenciou o desempenho do Ibovespa, com destaque para Vale ON, que terminou o pregão em queda de 2,43%. Segundo analistas, o papel foi influenciado principalmente pela notícia de que o relator da CPI de Brumadinho no Senado, Carlos Viana (PSD-MG), pretende propor em seu relatório final um aumento no imposto conhecido como Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) - espécie de royalty pago pelas mineradoras - dos atuais 3,5% para 10%.

Cautela no câmbio

O mercado de câmbio operou ontem na expectativa pela reunião de hoje (23) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que pode votar a admissibilidade da reforma da Previdência. Outro assunto no radar, foi a movimentação dos caminhoneiros, com o investidor monitorando o risco de nova greve. Em dia de agenda local esvaziada e de feriado na Europa, Hong Kong e Oceania, o volume de recursos foi baixo, caindo à metade da média da semana passada. No exterior, o dólar subiu ante emergentes, como México (+0,29%) e principalmente na Argentina (+1,75%), o que ajudou a pressionar o real. No mercado doméstico, o dólar terminou em leve alta de 0,07%, cotado em R$ 3,9329. /Estadão Conteúdo