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O compasso de espera por definições que devem vir nos próximos dias levou o Índice Bovespa a andar de lado no pregão de ontem, para definir uma tendência só nos minutos finais de negociação. O índice encerrou em queda de 0,43%, aos 97.623,25 pontos.

Estiveram no radar do investidor as reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos e a tramitação da reforma da Previdência. Os bancos centrais brasileiro e norte-americano decidirão sobre os juros básicos em seus países em meio a apostas em cortes de juros, que podem elevar a atratividade dos mercados de ações. Por aqui, a reforma da Previdência seguiu no radar, mas sem fato que tivesse exercido influência sobre os negócios.

“Na semana das reuniões do Copom e do Fed, o mercado de ações adotou um tom mais neutro, com os investidores evitando tomar posição. O gráfico da evolução do índice mostra o Ibovespa bem congestionado, em um dia sem agenda”, disse Pedro Nieman, analista da Toro Investimentos, com a ressalva de que o mercado segue bastante sensível ao noticiário político.

Para Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, os ruídos políticos iniciados na última sexta-feira, com troca de farpas entre o ministro Paulo Guedes (Economia) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foram acompanhados, mas não fizeram preço no mercado. “A bola está com o Congresso, a tramitação já está em curso e tudo o que os investidores e analistas querem agora é fazer as contas da economia e das medidas adicionais que serão necessárias”, afirmou o especialista.

Entre as ações do Ibovespa, uma das maiores quedas ficou com Vale ON, que fechou com perdas de 2,32%. O papel reagiu principalmente à queda dos preços do minério de ferro, além da elevação de R$ 100 mil para R$ 200 mil da multa diária para a empresa por dia que sejam feitas atividades na mina Onça Puma, no Pará.

As ações do setor financeiro, que oscilaram em alta durante todo o pregão, perderam força no final do dia e viraram para o negativo. Os papéis vêm sofrendo desde a proposta de elevação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para os bancos. Itaú Unibanco PN caiu 0,12% e Bradesco PN teve queda de 0,25%.

Mercado cambial

O dólar, por sua vez, encerrou o pregão de ontem praticamente no zero a zero em meio à expectativa de investidores pelas decisões de política monetária aqui e nos EUA.

Afora uma alta mais forte no meio da tarde, quando correu até a máxima de R$ 3,9244, na esteira de interpretações equivocadas de declarações do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o dólar trabalhou o restante do dia sem grandes sobressaltos e encerrou o pregão a R$ 3,8995, (+0,01%).

Por ora, a leitura nas mesas de operação é que o pedido de demissão do presidente do BNDES, Joaquim Levy, e as críticas de Guedes aos parlamentares não abalam as expectativas de votação da reforma.

Sem novidades no front doméstico, os investidores preferiram não fazer apostas mais contundentes, em meio à expectativa pela decisão do Fed. No exterior, a moeda norte-americana avançou em relação à libra, mas teve ligeira queda ante o euro. Em relação a divisas de emergentes e exportadores de commodities, o desempenho foi misto, com alta frente ao rand sul-africano e recuo ante peso mexicano, por exemplo. /Estadão Conteúdo