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A aversão ao risco no mercado internacional se sobrepôs ao clima mais ameno do cenário doméstico e foi determinante para a queda de 0,48% do Índice Bovespa, que fechou aos 93.910,03 pontos ontem.

O pessimismo quanto às chances de um acordo comercial entre Estados Unidos e China e os temores de recessão global incentivaram os investidores a buscar ativos conservadores, deflagrando uma onda vendedora nos mercados de ações. Assim, houve quedas expressivas nas principais bolsas da Ásia, Europa, Estados Unidos e nas emergentes em geral.

"A bolsa brasileira refletiu o cenário global de aversão ao risco, enquanto o ambiente doméstico não trouxe nenhum destaque negativo. As medidas provisórias avançam e a retirada do Coaf do ministro Sergio Moro era esperada. Além disso, é um fator que tem menor implicação prática", diz Gabriel Francisco, da XP Investimentos.

Para o diretor da Lifetime Asset, Josian Teixeira, apesar da aversão ao risco no exterior, a queda do dia pode ser considerada leve realização de lucros, depois de alta de quase 5% na semana. Segundo ele, com a queda recente do Ibovespa para o nível dos 90 mil pontos, o mercado voltou a ter um risco X retorno interessante, o que pode trazer alguma independência do cenário externo. “Acredito que momentaneamente voltaremos a surfar certa independência ao cenário lá fora. É claro que se as commodities caírem bastante, iremos sofrer. Mas por enquanto, o Banco Central não vai elevar os juros e o dólar acima de R$ 4 torna o Ibovespa barato em dólar", diz o diretor.

Influenciadas pela queda robusta dos preços do petróleo, Petrobras PN e ON perderam 1,71% e 1,74%, nesta ordem. As siderúrgicas também sofreram, com destaque à Gerdau PN (-2,38%) e Usiminas (-1,11%). Por outro lado, o desempenho misto das ações do setor financeiro evitou perdas maiores. Banco do Brasil ON subiu 0,16% e B3 ON avançou 1,06%.

Das 66 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, a maior queda foi de Natura ON (-8,54%). Os papéis da empresa devolvem parte dos ganhos recentes após a empresa anunciar a compra da Avon.

Dólar e Juros

Com troca de sinais ao longo do dia e sob influência do clima de aversão ao risco no exterior, o dólar subiu na sessão desta quinta. Com máxima de R$ 4,0714 e mínima de R$ 4,0259, a moeda americana encerrou o pregão cotada a R$ 4,0475, em alta de 0,17%. Segundo operadores, com o ambiente interno menos conturbado, após o Congresso voltar a votação das MPs, investidores refreiam novas apostas e ajustam posições, enquanto monitoram o comportamento das demais divisas emergentes. "Dada a conjuntura atual, um dólar entre R$ 4 e R$ 4,05 parece mais apropriado. Com o Congresso retomando as votações, o nível de R$ 4,10 parece exagerado", diz a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

Já o mercado de juros adiou possível realização de lucros e as taxas fecharam mais uma vez em baixa, na quarta sessão seguida de queda. A melhora na percepção do risco do cenário político e de que a economia doméstica vai demorar para se recuperar, além do pessimismo com a economia global, foram os principais fatores a alimentar o recuo. Desde a última sexta-feira, os contratos para janeiro de 2023 e janeiro de 2025 perderam mais de 30 pontos-base pela cena política. /Estadão Conteúdo