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Os investidores do mercado de ações adotaram o “modo cautela” na véspera da apresentação do relatório da reforma da Previdência na comissão da Câmara e levaram o Ibovespa a uma queda de 0,65%, aos 98.320,88 pontos.

Em meio ao vencimento do Ibovespa futuro, pesaram notícias sobre o teor do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). O temor de redução da potência fiscal da reforma e a exclusão dos Estados e municípios do texto foram fatores que aumentaram o grau de prudência no mercado. O pregão começou instável, refletindo influências positivas e negativas dos cenários interno e externo.

Na máxima, o Ibovespa chegou aos 99.239,50 pontos (+0,28%), quando o mercado repercutia a notícia da “despedalada” de bancos públicos, com devolução de R$ 17 bilhões ao governo, para redução da dívida pública. Já o mercado internacional deu contribuição negativa, com dúvidas quanto aos entendimentos entre EUA e China e queda dos preços do petróleo. As ações da Petrobras caíram 1,47% (ON) e 1,14% (PN).

A pontuação mínima do dia foi registrada pouco depois das 15h30, quando o principal índice de ações da B3 desceu até os 97.831 pontos (-1,14%). Segundo operadores das mesas de renda variável, havia nesse momento grandes players internacionais atuando tanto na ponta de venda quanto na de compra. “O mercado trabalha com R$ 700 bilhões. Se a desidratação for maior, não será o fim do mundo para o mercado, mas abre-se caminho para especulações em torno da permanência de Paulo Guedes no cargo, como ele mesmo sinalizou”, disse um operador.

Mercado cambial

Após cair a R$ 3,83 na manhã de ontem, o dólar mudou o ritmo e passou a subir na parte da tarde, acompanhando a valorização da moeda no exterior e também repercutindo as declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que os Estados e municípios vão ficar fora da reforma.

Os investidores aguardam agora o parecer do relator da reforma na comissão especial, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). O dólar fechou em alta de 0,45%, a R$ 3,8669.

Ontem à tarde, o dólar bateu máximas após as declarações de Maia. Com os Estados e municípios saindo, o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, destaca que pode ficar um pouco mais difícil aprovar o texto. Por isso, o dólar zerou a queda com as declarações. Ele ressalta ainda que a declaração de Maia sobre o sistema de capitalização ficar fora da reforma também não repercutiu bem perto do fechamento.

Mais cedo, o dólar havia operado em queda aqui e lá fora, influenciado pelo índice de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA abaixo do previsto em maio, o que reforçou a visão de corte de juros pelo Fed. No exterior, no final dos negócios, o dólar subia tanto perante moedas emergentes como divisas fortes, influenciado pelo endurecimento da retórica de EUA e China em disputa comercial.

O mercado de juros passou por um movimento discreto de realização de lucros a partir da reta final da etapa regular e a taxas fecharam em leve alta. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 6,190%, de 6,169% terça-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 encerrou na máxima de 7,11%, de 7,061% terça-feira no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 7,591% para 7,63%. /Estadão Conteúdo