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Os temores de acirramento da guerra comercial entre EUA e China deflagraram um movimento global de aversão ao risco, que atingiu em cheio os mercados acionários. O Ibovespa operou em queda durante o pregão de ontem e caiu 1,04%, aos 95.008,66 pontos.

“Os comentários de Trump fizeram os mercados de risco assumirem postura defensiva, causando esse movimento de queda das ações”, disse Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

Segundo ele, o fluxo externo continua sendo um ponto de interrogação nos mercados emergentes e em especial no Brasil, onde “os estrangeiros ainda estão esperando um bom sinal vindo das reformas da Previdência e tributária para o segundo semestre de 2019”. Já os investidores locais, afirma, continuam à espera de algum incentivo à economia interna, enquanto os indicadores econômicos se depreciam.

Quanto a reforma previdenciária, o clima ainda foi de compasso de espera pelo início dos trabalhos da comissão especial da Câmara hoje. “O cenário para Brasil não se altera. O driver principal continua sendo a reforma da Previdência e agora os investidores estão atentos à desidratação no número do ministro Paulo Guedes (Economia), de R$ 1,23 trilhão em dez anos, para algo em torno de R$ 600 bilhões a R$ 800 bilhões de reais de economia”, disse Chinchila.

A porta de saída dos investidores foram as ações do setor financeiro, grupo de maior peso na composição da carteira teórica do Ibovespa. Nesse bloco, destaque para Itaú Unibanco PN (-2,20%) e Bradesco PN (-2,70%). Por conta do imbróglio envolvendo EUA e China, Vale ON caiu 1,47%, alinhada a outras mineradoras pelo mundo. Com o resultado desta terça, o Ibovespa passa a contabilizar queda de 1,40% em maio.

Cenário cambial

O mercado de câmbio, por sua vez, passou a sessão de ontem pressionado pelo cenário externo, marcado por queda das moedas de emergentes após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar tarifas adicionais em US$ 200 bilhões de produtos chineses.

No mercado doméstico, a expectativa agora é pelo início dos trabalhos da comissão especial da Câmara, que vai avaliar a reforma da Previdência, previsto para esta terça-feira (7). O dólar à vista fechou em alta de 0,48%, a R$ 3,9580.

O mercado local ficou mais estressado pela manhã, quando o dólar bateu em R$ 3,97. Na parte da tarde, a moeda norte-americana desacelerou o ritmo de queda, e foi negociada na casa dos R$ 3,95, em meio a notícias de que uma delegação de Pequim vai aos EUA para uma nova rodada de negociações. Operadores ressaltam que importadores e investidores estrangeiros aumentaram as compras de dólar. Os principais vendedores foram exportadores, atraídos para o mercado quando a moeda bateu nas máximas.

A aversão ao risco que pautou os mercados globais ontem também teve efeito muito limitado no segmento de juros, mas mais visível na primeira parte dos negócios.

As taxas de curto prazo encerraram a sessão regular nas mínimas. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,440%, de 6,470% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 fechou em 7,04%, de 7,062%. A taxa do DI para janeiro de 2023 ficou estável, em 8,15%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 8,67%, ante 8,682% no último ajuste. /Estadão Conteúdo