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O noticiário corporativo foi destaque no mercado acionário e deu um pequeno fôlego de alta ao Índice Bovespa, que subiu 0,40% e encerrou aos 104.119,54 pontos. O anúncio da liberação de saques de recursos do FGTS teve efeito restrito a ações de consumo.

Cielo e BR Distribuidora foram as estrelas do pregão, que contou também com o bom desempenho de algumas das ações do setor financeiro. A alta de 12,89% das ações da Cielo foi a surpresa do dia, uma vez que o resultado trimestral da companhia foi considerado fraco.

Na visão de analistas, a alta levou em conta fatores técnicos e algumas apostas na recuperação da empresa no futuro, com repercussão mais otimista das declarações do atual presidente da companhia, Paulo Caffarelli.

No caso de BR Distribuidora ON (+1,19%), a valorização refletiu a venda do controle da empresa em oferta secundária, tirando a Petrobras da posição de acionista majoritária. Para Pedro Galdi, analista da Mirae, o bom desempenho dos papéis da distribuidora mostra que o investidor se anima com a expectativa de nova governança da empresa.

Além disso, a venda vai na linha do plano de desinvestimentos da Petrobras. Os papeis ordinários e preferenciais da estatal, no entanto, seguiram a queda dos preços do petróleo e perderam 0,83% e 0,62%, respectivamente.

Rafael Bevilacqua, estrategista da Levante Ideias de Investimento, chama a atenção para o bom desempenho das ações do setor financeiro, que, segundo ele, estão muito “descontadas”, em um mercado onde diversos papéis estão “esticados” demais. Os destaques foram Bradesco ON e PN, que avançaram 1,83% e 1,88%, e Banco do Brasil ON (+1,81%).

Mercado cambial

O dólar, por sua vez, operou em queda durante toda a sessão de ontem. No encerramento do pregão, fechou com leve redução de 0,09%, a R$ 3,7693.

Com o Congresso em recesso, o mercado local novamente operou em linha com os movimentos da moeda norte-americana no exterior, dia em que cresceu o otimismo dos investidores com as negociações comerciais entre a China e os EUA, que devem ser retomadas na semana que vem.

Operadores também reportaram entrada de recursos externos para ofertas de ações. Já a expectativa por eventos dos próximos dias, que inclui a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), contribuiu para deixar os investidores cautelosos.

O destaque de ontem foi a nova queda do Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, um termômetro do risco-país. O governo anunciou medidas de saque do FGTS para estimular a economia, mas como já haviam sido antecipadas nos últimos dias, não tiveram impacto no câmbio.

No momento, o foco maior é a reunião do Federal Reserve na semana que vem, a do BCE hoje e a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA na próxima sexta-feira.

Em um pregão morno e de liquidez reduzida, os juros futuros pouco se mexeram e encerraram a sessão regular entre estabilidade e leve queda.

A taxa do contrato do DI para janeiro de 2010 encerrou a 5,585%, ante 5,593% no ajuste anterior. Na parte intermediária da curva, o contrato com vencimento em janeiro de 2021 fechou estável em 5,41%, enquanto o DI para janeiro de 2023 recuou de 6,31% para 6,27%. Nos longos, o DI para janeiro de 2025 foi de 6,87% para 6,83%. /Estadão Conteúdo