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A melhora de percepção dos cenários interno e externo deu fôlego para o Ibovespa engatar um pregão de recuperação das perdas da véspera, registrando uma alta de 1,26% ontem, aos 97.204,85 pontos.

O avanço significativo das commodities e das bolsas americanas favoreceu os ganhos do índice brasileiro desde o período da manhã. À tarde de ontem, o indicador ampliou os ganhos com ajuda das ações da Petrobras, à medida que se desenhava um placar aparentemente favorável à dispensa de aval legislativo nas privatizações, em votação do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Uma recuperação (nesta quinta) era algo natural depois da forte queda de quarta (-1,42%). Para isso, houve contribuição dos preços do petróleo e ainda a constatação de que várias coisas estão andando no Legislativo, que está fazendo sua parte, independentemente de eventuais ruídos no Executivo", disse Shin Lai, estrategista e analista da Upside Investors.

Na máxima do pregão de ontem, em torno das 15h45, o Ibovespa atingiu 97 461,97, com ganho de 1,52%. Nesse momento, dois fatores positivos contribuíram para impulsionar as ordens de compra: o avanço das votações no STF e a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera adiar a imposição de tarifas a produtos importados do México. Inicialmente, a data de vigência das tarifas seria no próximo dia 10. A notícia deu força às bolsas de valores de Nova York, ajudando a conduzir o Ibovespa para além dos 97 mil pontos.

Com 11,9% de peso na composição da carteira do Ibovespa, as ações da Petrobras foram o principal destaque do pregão, com altas de 1,57% (ON) e 1,62% (PN). O comportamento foi determinado pelas altas acima de 2% dos preços do petróleo no mercado internacional e foi potencializado pela perspectiva otimista quanto à votação no STF.

Uma vez derrubada a liminar do ministro Ricardo Lewandowski que exige aval do Legislativo para alienação do controle de empresas públicas, fica novamente aberta a porta para a venda da transportadora TAG, interrompida também por decisão do STF.

As ações do setor financeiro também tiveram impacto positivo no Ibovespa e, segundo analistas, refletiram uma recuperação baseada na melhora de percepção do risco político. Banco do Brasil ON subiu 2,54% e Itaú Unibanco PN avançou 1,05%.

"A reforma da Previdência Social continua a ser o nosso principal gatilho, capaz de tornar a fazer o Ibovespa andar na contramão do mercado externo, como ocorreu em maio. Com os sinais de que as coisas estão andando no Congresso, cresce a expectativa de avanço da reforma na próxima semana", disse Pedro Galdi, analista da Mirae Asset.

Mercado cambial

O real voltou a se valorizar ontem, acompanhando a desvalorização do dólar no exterior, sobretudo ante moedas fortes, e com as mesas monitorando questões políticas domésticas. Após bater em R$ 3,90 durante os negócios de quarta-feira, a moeda americana terminou a quinta-feira em R$ 3,8831, com queda de 0,30%.

Nos últimos 13 pregões, o dólar só fechou em alta em quatro deles e profissionais do mercado acreditam que, na ausência de choques locais ou externos, a moeda pode testar níveis perto de R$ 3,80 ou até abaixo nos próximos dias. O cenário político teve forte nas cotações. /Estadão Conteúdo