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O mercado brasileiro de ações teve dois momentos distintos ontem, ambos determinados pelo noticiário internacional. Depois de ter iniciado o dia em queda, ainda repercutindo o cenário eleitoral na Argentina, o Índice Bovespa virou para o positivo e encerrou o pregão com alta firme.

Isso decorreu em resposta aos sinais de melhora na relação entre Estados Unidos e China. Ao final da sessão de negócios, o principal índice de ações da B3 marcou 103.299,47 pontos, em alta de 1,36%. Com a elevação, o Ibovespa recuperou boa parte das perdas de 2% registradas na véspera, quando havia voltado ao patamar dos 101 mil pontos. Na mínima do dia, o índice brasileiro chegou a marcar 101.414 pontos (-0,49%). Na máxima, chegou aos 103.778 (+1,83%).

A recuperação aconteceu por volta das 10h30, primeiro com declarações da China apontando para a continuidade dos diálogos com os Estados Unidos. Depois, os Estados Unidos anunciaram que retirariam alguns produtos da lista de tarifação de 10% sobre produtos chineses. Outros produtos tiveram a taxação adiada de 1º de setembro para o dia 15 de dezembro.

“Os dois fatos quase simultâneos promoveram uma reviravolta nos mercados, deixando espaço para uma recuperação dos ativos. As falas reduziram os temores de desaceleração da economia global e mudaram a dinâmica dos mercados, com impacto principalmente sobre as ações de commodities”, comentou Rafael Figueredo, analista da Eleven Financial.

Figueredo ressalta que o risco de desaceleração global está levando os bancos centrais a fazerem a lição de casa, afrouxando a política monetária e promovendo outras medidas de incentivo à economia.

Com isso, ele recomenda especial atenção às ações de empresas de materiais básicos, que vêm sendo fortemente penalizadas pela guerra comercial e os temores de desaceleração econômica. Por estarem bem mais descontados que outras ações, esses papéis teriam potencial bem maior de alta a partir do momento em que essas políticas começarem a mostrar resultados.

Dólar

O dólar começou o dia de ontem em alta e voltou a superar R$ 4,00. Mas a notícia de que a Casa Branca vai adiar o início da cobrança de tarifas a determinados produtos chineses para dezembro trouxe alívio ao mercado e o dólar passou rapidamente a cair. Operadores relatam ainda que uma entrada expressiva de recursos do exterior contribuiu para aumentar a oferta da moeda, retirando pressão sobre o câmbio.

Com isso, o dólar, que na máxima foi a R$ 4,01, caiu a R$ 3,94 na mínima Apesar de ficar em segundo plano aqui, a Argentina seguiu no radar das mesas de câmbio, assim como a situação dos protestos em Hong Kong, que fez moedas de emergentes asiáticos se enfraquecerem. O dólar à vista terminou o dia em queda de 0,39%, a R$ 3,9678.

“O adiamento das tarifas sobre a China e entrada forte de capital ajudaram o dólar a cai”, ressalta o diretor de tesouraria do Travelex Bank, João Manuel Campanelli Freitas. Ao postergar o aumento tarifário, o executivo ressalta que os americanos mostram disposição em negociar um acordo comercial

Para o diretor do Travelex Bank, há muitos recursos para entrar aqui, por conta de captações externas recentes. O dólar acima de R$ 3,95 propicia uma boa oportunidade para os recursos. /Estadão Conteúdo