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Depois de quatro quedas consecutivas, o Índice Bovespa teve uma recuperação tímida com alta de 0,22%, aos 93.082,97 pontos no pregão de ontem. A escassez de informações e a política de preços da Petrobras foram os principais motivos para a falta de fôlego.

Segundo analistas, muito embora o mercado busque manter o otimismo em torno da reforma da Previdência e dos preços da Petrobras, os sinais de articulação política deficiente no governo ainda causam desconforto.

No caso da petroleira, a expectativa é de que o governo reforce o compromisso com a agenda liberal, sinalizando que a interferência nos combustíveis praticada na semana passada foi um fato isolado. Por isso, as atenções se voltaram principalmente na reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que estava em Washington quando o presidente interferiu no reajuste do diesel.

Ao longo do dia, foram monitorados os movimentos dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que estiveram às voltas com as tentativas de votar as PECs do Orçamento Impositivo e da reforma da Previdência. A oposição colocou em ação o seu “kit obstrução” e manteve os assuntos em suspenso ao longo da tarde, prorrogando a cautela e o desconforto do investidor.

As ações da Petrobras foram importante referência para os negócios desde a abertura. Depois de terem caído entre 7% e 8% na sexta-feira, por conta da interferência de Bolsonaro no diesel, os papéis buscaram uma recuperação. A falta de novidades, no entanto, tirou o fôlego das ações. Ao final do pregão, Petrobras ON teve queda de 0,07%, enquanto Petrobras PN avançou 0,39%.

Mercado cambial

O dólar, por sua vez, teve um movimento de correção no pregão de ontem, após subir 1,7% nas duas últimas sessões da semana passada. Investidores aproveitaram o dia de dólar em baixa no exterior e de noticiário local fraco para desfazer posições defensivas.

O mercado passou o dia monitorando e esperando o resultado do encontro entre Guedes e Bolsonaro e a reunião da CCJ para discutir a reforma da Previdência e a proposta do Orçamento impositivo.

O dólar à vista fechou em queda de 0,52%, a R$ 3,8681. Pela manhã, a moeda abriu em alta e chegou a encostar novamente em R$ 3,90, como já havia feito na sexta-feira. A divisa neste patamar atraiu vendedores, principalmente exportadores, de acordo com operadores e as cotações passaram a cair.

Para o economista da consultoria inglesa Capital Economics, Oliver Jones, mesmo após os recentes eventos em Brasília ainda há um grau de otimismo sobre as chances de aprovação da reforma da Previdência. Para Jones, porém, a percepção da consultoria é que o texto vai demorar “bastante tempo” para ser aprovado e deve ser bem diluído. A expectativa é de mercado volátil nos próximos meses.

O mercado de juros iniciou a semana com taxas em queda, otimista sobre um desfecho da tramitação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a sessão regular em 6,530%, de 6,546% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2021 recuou de 7,142% para 7,09%. A taxa para janeiro de 2023 encerrou a 8,22%, de 8,272%, e o DI para janeiro de 2025 foi de 8,812% para 8,73%. /Estadão Conteúdo