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- Em 1950, Alban Phillips sugeriu a existência de uma relação inversa entre inflação e desemprego, e a chamou de Curva de Phillips. A curva mostra que uma política monetária expansionista (queda na taxa de juros) aumenta a produção, reduz o desemprego e promove aumento da inflação. Estudos posteriores mostraram que políticas expansionistas resultariam apenas em mais inflação no longo prazo, sem benefícios para a sociedade.

Nesse sentido, é possível traçar um paralelo com a economia brasileira. Após anos de estímulos econômicos, a taxa de desemprego apresentou queda até 2014, quando se deu a inversão da tendência. Nesse contexto, os estímulos implementados na economia brasileira geraram mais inflação, o que exigiu a elevação da taxa básica, a Selic.

Enquanto a taxa de juros permanece em patamares elevados, a economia sente os efeitos da redução na produção e na demanda por bens da economia. Os consumidores compram menos, as empresas ajustam a produção, o crédito fica mais caro e escasso e o desemprego começa a aumentar. Nesse contexto, a despeito dos efeitos negativos sobre a economia doméstica, os preços começam a desacelerar.

Em 2016, observa-se que, enquanto o desemprego aumenta, os reajustes de preços tendem a diminuir. Ainda que a inflação esteja em um patamar elevado, espera-se, para 2017, que a inflação comece a se aproximar da meta central. Enquanto a taxa de juros estiver no atual patamar, a taxa de desemprego continuará se elevando e a inflação continuará em uma trajetória de queda, o que permitirá o início da reversão da política monetária, ou seja, uma discreta queda na taxa Selic já no fim de 2016, com impactos positivos sobre o mercado de trabalho nacional em 2017.

A experiência brasileira recente confirma o fato de que a tentativa de estimular o crescimento econômico e, consequentemente, o nível de emprego, às custas de mais inflação, não foi bem-sucedida. Nesse contexto, a percepção de que os custos superaram os benefícios constitui uma lição para que, no futuro, o cuidado com a inflação seja redobrado, tendo em vista os elevados custos da política anti-inflacionária para a sociedade, que tem de arcar com os efeitos do desemprego até que a inflação seja efetivamente controlada.

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Pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica