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A instabilidade política esperada para maio trouxe posições mais defensivas nas carteiras recomendadas pelas corretoras. Sem resultados concretos quanto a Previdência, a expectativa é que qualquer burburinho interno traga grande volatilidade.

Em segundo plano na sugestão de ações estão os balanços de resultados das empresas – que devem acontecer até meados deste mês – e o cenário internacional, onde a estimativa pela política monetária de países desenvolvidos ainda pode influenciar a bolsa de valores.

“A expectativa é de um mercado ainda dependente da habilidade do Governo Federal para a condução da proposta de reforma da Previdência. O ponto principal continua sendo a falta de confiança dos investidores na capacidade de retomada da economia brasileira”, comenta o analista-chefe da Planner Corretora, Mário Mariante.

Na falta de perspectiva de uma resolução para a Previdência neste mês, os analistas reiteram que qualquer movimento nas questões político-econômicas domésticas pode tomar grandes proporções nos papéis.

Segundo a analista-chefe da Coinvalores, Sandra Peres, esse é o motivo para as posições mais defensivas entre as corretoras. “Os holofotes estão voltados para o noticiário político e qualquer informação que saia nesse meio tempo, pode movimentar muito a Bolsa neste mês. Além disso, temos uma recuperação ainda muito fraca da economia que também precisam de atenção”, avaliou a especialista.

Os papéis mais recomendados nas carteiras de sete corretoras avaliadas pelo DCI (Coinvalores, Guide Investimentos, Necton, Nova Futura, Planner, Socopa e Terra Investimentos) estão Petrobras (cinco menções) e Banco do Brasil (quatro menções). Seguidas por Suzano, Itaú Unibanco, Pão de Açúcar e Braskem.

Cenário corporativo

Além das expectativas quanto aos balanços corporativos ao longo deste mês, os especialistas também reiteram a presença de algumas estatais nas carteiras, muito calcadas na possibilidade de uma agenda de privatizações, desinvestimentos e melhora nas margens das empresas.

“Nesse contexto, o mix da carteira já contempla ações high yield [de retornos mais altos] que tendem a sofrer menos com o quadro de forte volatilidade esperado para maio e esperamos oportunidades em eventos de venda de ativos e balanços corporativos”, afirma o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos.

“Acreditamos que o governo Bolsonaro encontrará um caminho positivo na articulação com deputados, tendo Rodrigo Maia (DEM-RJ) como peça-chave desse xadrez. Além disso, a atividade econômica ainda está bem aquém do esperado, mas o governo deve entregar algumas medidas de incentivos ao longo desse mês”, acrescenta o analista de investimentos da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

Com os indicadores econômicos ainda abaixo do esperado, porém, a aposta do mercado em um retorno da economia conta com retornos mais no médio e longo prazo.

Segundo o analista da Socopa ,Nicolas Takeo, maio deve ser um período de acomodação para esses ativos, mas a aposta em um período maior ganha força nos papéis de varejo. “É onde entendemos que o valuation [valoração das empresas] estão mais descontadas e que podem se beneficiar por uma recuperação da economia doméstica”, pondera.

Ambiente internacional

Já no âmbito internacional, a agenda externa quanto a política monetária de países mais desenvolvidos e a possibilidade de uma resolução da guerra comercial entre Estados Unidos e China também chama a atenção entre as corretoras.

“O recente evento onde o Fed [banco central estadunidense] manteve os juros, quebrou as expectativas do mercado por um posicionamento mais dovish [suave]. Além disso, alguma solução deve vir mais ao final do mês para a guerra comercial. São pontos que requerem atenção” afirma Passos, da Guide.

Essa expectativa quanto ao mercado exterior também trouxe menções à ações como Gerdau e Embraer. Entre as demais ações sugeridas nas corretoras, com duas menções cada, estão CCR, Cosan, Rumo Logística, Fleury, Ambev e também Engie Brasil.