Publicado em

O estoque de títulos bancários lançados por instituições financeiras apresentou um aumento líquido de R$ 29 bilhões no primeiro trimestre de 2019, sinalizando ligeira reação da renda fixa após um período de atratividade da renda variável (ações).

De acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), houve avanço nos estoques de letras financeiras (LFs), letras de crédito do agronegócio (LCAs), recibos de depósito bancário (RDBs) e letras de câmbio (LCs), enquanto o volume dos tradicionais certificados de depósito bancário (CDB) recuou.

Ao todo, o estoque de papéis de captação das instituições financeiras alcançou R$ 1,553 trilhão, alta de 1,9% sobre o montante de R$ 1,524 trilhão em dezembro de 2018. No ano passado inteiro, o volume desse segmento da renda fixa havia expandido R$ 85 bilhões ou 5,9% sobre o exercício de 2017.

“Diante dos juros baixos, cada dia mais o investidor procura por informações e busca alternativas. LFs com um prazo maior e RDBs, por inibirem a negociação no mercado secundário, acabam pagando uma remuneração maior que o próprio CDB de uma instituição. As LCs que são emitidas por financeiras também pagam mais que CDB de bancos”, explica o responsável pela área de produtos do Banco Ourinvest, Fernando Fridman.

Ele ainda comenta o interesse dos investidores por títulos isentos do imposto de renda para pessoas físicas. “A LCA atende o [crédito para o] agronegócio e tem a vantagem da isenção fiscal para o investidor pessoa física, ao passo que está muito difícil para os bancos conseguirem lastro imobiliário para emitir LCIs”, observou.

Fridman exemplificou que o Banco Ourinvest listou uma LCA com prazo de 120 dias (4 meses) a 100% da taxa de depósito interfinanceiro (DI). “É um retorno bem atrativo e sem o imposto de renda”, contou.

Na mesma linha de contexto, o economista da Necton, André Perfeito, também apontou o interesse dos investidores por produtos isentos como a LCA. Mas completou com a hipótese de que, dada a volatilidade da renda variável (ações) em março, o investidor tenha procurado por aplicações mais tradicionais. “Teve gente migrando para produtos mais seguros (DI) por causa da volatilidade”, disse Perfeito.

Destaques do período

Em números, o estoque em LCAs avançou R$ 7,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, do montante de R$ 148,56 bilhões em dezembro para R$ 155,76 bilhões em março.

Ainda entre os destaques, vale citar que o estoque em RDBs saltou R$ 19,34 bilhões nos primeiros três meses de 2019, de R$ 33,32 bilhões, em dezembro, para R$ 52,66 bilhões em março deste ano.

A diferença do RDB para o CDB é que o primeiro não pode ser resgatado antes do prazo de vencimento.