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As aplicações de investimentos brasileiros no exterior e os regressos dos aportes feitos ao País apresentaram alta no primeiro bimestre deste ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC).

O investimento total de capital em outros países alcançou, nos primeiros dois meses de 2018, o valor de US$ 2, 782 bilhões, mais do que o dobro em comparação ao registrado no mesmo período de 2017, de US$ 1,295. Já o valor total do retorno é de US$ 1,084 bilhões, contra US$ 754 milhões verificado no ano passado.

Os setores da indústria e agricultura registraram as maiores altas entre as aplicações, enquanto o setor de serviços, como obras de infraestrutura e construção, apresentou queda.

Para o diretor presidente da SOBEET, Luís Afonso Fernandes Lima, o avanço dos investimentos no exterior não é um movimento recente.

“As empresas se depararam com resultados aquém do esperado devido a crise econômica do País, e se utilizaram, então, dos resultados de investimentos externos como uma necessidade para equilibrar suas contas. Já a queda na área de serviços pode ser explicada pelo impacto das denúncias da operação Lava Jato, uma vez que afetou o capital de grandes empreiteiras”, comenta.

Segundo dados do BC, a maioria das aplicações tem como destino os Estados Unidos. O valor para esse país subiu de US$ 1,115 bilhão no primeiro bimestre de 2017, para US$ 2,782 investidos nos primeiros dois meses deste ano.

Entre os motivos que levaram as empresas brasileiras a investirem majoritariamente em solo americano, dois fatores se destacam: a redução da alíquota de imposto de renda para pessoas jurídicas – desenhada pelo presidente Donald Trump e que favorece o investimento estrangeiro nos Estados Unidos, medida da qual as empresas brasileiras já estão se valendo –, e a conjuntura positiva de seu mercado dinâmico, que apresenta uma forte demanda interna e oportunidades de investimentos para empresas estrangeiras.

Cenário econômico

Na comparação anual do valor total de aplicações, o estudo do Banco Central evidencia a queda de investimentos nos anos em que a crise econômica se mostrou mais forte.

Em 2015, a saída de investimentos diretos para o exterior registrou valor de US$ 20,448 bilhões. Já em 2016, o resultado passou a ser de US$ 17,913 e sofreu nova queda ao chegar ao valor de US$ 11,038 bilhões no ano passado.

Segundo Luís Afonso Lima, com a fragilidade da economia nos primeiros momentos da crise, os empresários se fecharam ao mercado externo.

“Entre os anos de 2015 e 2017, as empresas se ocupavam unicamente em resistir à crise, portanto, aplicar em outros países não era algo tão estratégico quanto investir no mercado interno para superar o cenário negativo”, avalia.

A tendência para este ano, porém, parece otimista. Com a recuperação da economia, a reativação do mercado de trabalho e do setor de crédito, as empresas estão se preparando em curto e médio prazos para novos investimentos. “Em um ou dois anos, as aplicações no mercado interno irão superar os investimentos no exterior, fortalecendo e trazendo dinamismo à economia brasileira.”