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O Itaú Unibanco revisou para baixo suas expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), para a Selic e para o resultado primário em 2019 e 2020, citando em relatório dados fracos de atividade e o cenário de necessidade da reforma da Previdência.

O banco passou a estimar a Selic em 5,75% ao ano ao fim de 2019, de 6,50% da previsão anterior. O Itaú projeta que o Banco Central começará a cortar o juro básico em setembro, em doses de 0,25 ponto percentual, após a aprovação da reforma previdenciária. A instituição também revisou para baixo a perspectiva para a Selic ao fim de 2020, para 5,5%, ante prognóstico anterior de 6,5%.

"Acreditamos que a combinação de atividade fraca com projeções de inflação abaixo da meta abrirá espaço para a implementação de estímulos monetários adicionais, caso o risco de deterioração fiscal seja mitigado pela aprovação da reforma", disse o banco em relatório de revisão de cenário.

Mas, em caso de frustração quanto ao avanço das medidas fiscais, o Itaú cita aumento da chance de alta de prêmios de risco, com desvalorização cambial e desancoragem das expectativas de inflação, ainda que o hiato do produto continue "amplo". "Esse cenário seria compatível com manutenção ou mesmo alta de juros à frente", ressalvou o banco.

Os dados mais fracos de atividade levaram os economistas do Itaú a ajustar para baixo as expectativas para a taxa de expansão do PIB. O banco vê crescimento de 1,3% em 2019, ante 2% da projeção anterior. Para 2020, a estimativa foi reduzida de 2,7% para 2,5%.

Nas contas do Itaú, o PIB deverá contrair 0,1% no primeiro trimestre, na margem, ante estimativa anterior de aumento de 0,3%, "possivelmente refletindo a redução da produção de minério de ferro em razão do rompimento da barragem em Brumadinho", no estado de Minas Gerais.

O banco cita em seu relatório recuperação apenas gradual no consumo das famílias, em meio à queda generalizada de índices de confiança em março e a uma atividade industrial "estagnada". O Itaú piorou ainda as estimativas para o resultado primário. A projeção agora é de déficit de 1,5% do PIB para 2019 (-1,4% antes) e de 1% em 2020 (-0,9% anterior). "O cenário é estritamente dependente da aprovação da reforma da Previdência", diz o texto do relatório.

O banco manteve estimativas para o IPCA em 3,6% ao término de 2019 e 2020. A previsão para o dólar americano segue em R$ 3,80 para o fim de 2019 e de R$ 3,90 ao término do próximo ano. /Reuters