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A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) projeta um aumento nas ofertas de renda fixa, impulsionados pelo maior otimismo em relação ao País e pela estabilidade da taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano.

De acordo com o diretor da associação, José Eduardo Laloni, apesar de janeiro “não ter sido um mês de grandes ofertas”, a Selic controlada e o maior otimismo do mercado quanto a aprovação da reforma da Previdência já tem trazido uma maior demanda de novos emissores.

“Apesar de o mercado de renda variável ainda depender um pouco mais da aprovação da reforma, os bancos já notaram uma busca mais forte pelas empresas para emissões de renda fixa”, diz.

Dados da Anbima apontam que a captação doméstica do mês passado somou os R$ 7,4 bilhões. O valor é 67% menor do que o observado em dezembro (R$ 22,3 bilhões) e 22,6% inferior ao registrado em igual mês de 2018 (quando havia sido R$ 9,5 bilhões).

Para Laloni, porém, parte do andamento do mercado de capitais também será intensificado pelo maior contato da associação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como forma de diminuir a participação da instituição e fortalecer o tamanho da indústria.

“Hoje o mercado de capitais tem a capacidade de absorver toda a captação que era feita pelo BNDES nas grandes empresas. Já emitimos mais de R$ 40 bilhões com debêntures de infraestrutura e temos ainda muito a evoluir. A taxa de juros comportada também ajuda a convergir para que essa demanda por recursos chegue até nós”, completa o executivo.

“A interação boa com o banco de fomento já tem sido boa desde o governo anterior e, em geral, acreditamos que continuaremos a traçar esse caminho. Já começamos a interação com o novo grupo técnico do BNDES e esperamos que a linha de discussão siga a linha de adequar a participação do banco e aumentar o espaço do mercado privado”, acrescenta o presidente da associação, Carlos Ambrósio.

Lançamento de ações

Já em relação às ofertas voltadas ao segmento de renda variável, os executivos ponderam o compasso de espera que os empresários se encontram ante as discussões para a aprovação da nova Previdência.

“Já começamos a ver uma movimentação, mas ao mesmo tempo em que o pipeline [conjunto de propostas] dos bancos está bem robusto, ele também espera sinalizações mais diretas sobre a reforma. É um cenário positivo, mas ainda é difícil falar em números”, comentou o diretor da Anbima, Sérgio Cutolo. Ele reitera, porém, que, de qualquer forma, “é puxado” esperar que a expectativa de 20 a 30 ofertas iniciais de ações (IPOs) previstas pelo mercado para este ano se concretize no segundo semestre, quando a proposta previdenciária estará mais encaminhada. “Talvez não vamos alcançar essa marca, mas é preciso pensar que estamos criando um ciclo virtuoso para deslanchar o mercado”.

“Do ponto de vista do ambiente externo, a preocupação quanto aos juros [dos Estados Unidos] já se acalmou e traz boas perspectivas para os países emergentes. A conquista real para nós, agora, é em volume e prazos de operações, as quais esperamos bons crescimentos para 2019. A maior parte do percurso, nesse sentido, já foi executado e, agora, o caminho será mais fácil de traçar”, afirma Eduardo Laloni.

Em relação às expectativas da Anbima para este ano, o presidente destaca os estudos já feitos em relação aos agentes autônomos e as discussões internas e com o regulador sobre regulação e autorregulação do mercado. “Estamos vivendo uma busca de equilíbrio fiscal muito importante e isso nos deixa muito otimistas para o mercado de capitais neste ano. O trabalho virá na linha de melhorias tanto nas ofertas quanto para os emissores”, analisa.

Tributação de dividendos

Quanto as discussões sobre um possível imposto sobre dividendos, os executivos pontuam que as discussões tributárias ainda “demoram a ganhar corpo”. “A reforma tributária é necessária e todos nós esperamos que ela aconteça. Mas são assuntos complexos, que exigem análises aprofundadas e isso ainda leva um tempo para acontecer”, conclui a presidente do Comitê de Assuntos Fiscais e Contábeis da Anbima, Renata Robazzi.