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O otimismo do investidor chegou a levar o Ibovespa a subir mais de 1%, superando os 99 mil pontos. No entanto, perdeu fôlego com o bloco financeiro, que apurou queda significativa. Ao final dos negócios, o índice marcou 98.773,70 pontos, com ganho de 0,46%.

O grande evento de ontem foi a apresentação do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) na comissão especial da Câmara que analisa a reforma da Previdência. Os temores de excessiva desidratação da reforma foram diluídos com a informação de que a potência fiscal da proposta inicial do governo foi reduzida de R$ 1,2 trilhão para R$ 913,4 bilhões em dez anos. Levando em conta o fim da transferência dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para o BNDES, o impacto fiscal sobe para R$ 1,13 trilhão, muito próximo da economia desejada pelo ministro da Fazenda, Paulo Guedes.

A repercussão positiva da matéria só não atingiu as ações do setor financeiro. Estas reagiram negativamente à inclusão no relatório da retomada das cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos pelas alíquotas vigentes até dezembro do ano passado. No fim de 2018, a cobrança das instituições financeiras caiu de 20% para 15%. De acordo com o relatório, a recomposição das alíquotas da CSLL para os bancos significa um reforço fiscal de R$ 50 bilhões em dez anos.

"A volta da alíquota para 20% não pode ser considerada uma surpresa, mas mesmo assim gerou reação negativa nas ações dos bancos, que tiraram um pouco do brilho do Ibovespa. O impacto desse aumento no imposto vai depender de como cada analista fará sua conta", disse André Martins, analista da XP Investimentos.

Ao final dos negócios ontem, Banco do Brasil ON teve queda de 1,59%, enquanto Itaú Unibanco PN perdeu 1,79% e Bradesco PN, -1,09%.

No restante das ações, Martins chama a atenção para a alta generalizada, que atingiu até mesmo ações de empresas exportadoras, normalmente sensíveis à oscilação do dólar, que caiu 0,31%. Entre as altas do dia, o principal destaque ficou com as ações da Petrobras, que subiram 1,36% (ON) e 1,23% (PN), alinhadas à forte alta dos preços do petróleo no mercado internacional.

Dólar em baixa

Apresentado ontem, o relatório da reforma da Previdência na comissão especial foi bem recebido pelo mercado de câmbio e o dólar teve uma sessão de queda. A moeda norte-americana chegou a recuar para R$ 3,83 na manhã, mas a desvalorização perdeu um pouco de força pela tarde, por conta da alta da moeda americana perante divisas como o euro e a libra e de emergentes como a Turquia e Índia. O dólar à vista fechou em queda de 0,31%, a R$ 3,8549.

No relatório da Previdência, os investidores gostaram da economia fiscal da reforma após as mudanças na comissão especial, que ficou em R$ 913 bilhões, ainda perto do R$ 1,2 trilhão do texto original do governo e quase o dobro do texto de Michel Temer. Nas mesas de operação, cresce a aposta de que o texto deve ser votado no plenário da Câmara antes do recesso, o que vem fazendo os agentes a reduzir apostas contra o real. "A economia fiscal do relatório é um número bom e o mercado está contando com a declaração do Rodrigo Maia, de que a votação deve ocorrer no começo de julho", diz a economista-chefe do Ourinvest, Fernanda Consorte. /Estadão Conteúdo