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O Banco do Brasil (BB) já tem uma lista de seis empresas nas quais pretende desinvestir nos próximos trimestres. A ideia é que a instituição se desfaça de todos os ativos que não possuem sinergia com sua atividade principal com o intuito de melhorar sua eficiência.

O primeiro desinvestimento a ser realizado, segundo o presidente do BB, Rubem Novaes, é a BB Tur, agência de turismo do banco público e que deve ser fechado, ao invés de vendido. Em seguida, os dois outros processos mais maduros são a venda de participações do banco na Neoenergia e no IRB Brasil Resseguros. Entre outros nomes cotados também estão o BB Américas e os bancos Votorantim e Patagônia.

“O Banco do Brasil é diferente das instituições que têm ações líquidas disponíveis para venda. Normalmente temos acordos de acionistas que precisamos cumprir e em muitos desinvestimentos sequer somos o acionista majoritário. Essas coisas precisam ser discutidas porque não são unilaterais, mas continuamos na intenção de desinvestir tudo o que não tem sinergia com nossa nave central”, afirma o presidente.

Novaes também reitera que todos esses ativos já contam com assessores (advisors) para encaminhar as questões de desinvestimentos da melhor maneira possível, de forma que o banco não saia “desesperado”, mas sim, fazendo bons negócios.

O executivo também relacionou as “amarras” que a instituição tem como banco público como a razão de ainda não conseguir competir de igual para igual com seus pares privados. “Essas amarras do setor público que travam certas providências e que podem tirar a velocidade dessa briga com os pares privados. Não temos a mesma liberdade nem a facilidade de contratação, demissão ou encerramento de agências, por exemplo. É natural que a gente sofra um pouco com isso”, completa Novaes.

Carteira de crédito

Ao mesmo tempo, apesar do lucro líquido ajustado do BB ter atingido a marca recorde de R$ 4,247 bilhões no primeiro trimestre deste ano, avanço de 40,4% em relação a igual período de 2018 e Retorno Sobre Patrimônio Líquido (RSPL) de 16,8% (contra 12,6% na mesma relação), a receita do banco com mercado de capitais – aposta do banco para este ano – ficou aquém do esperado.

A renda com o segmento no primeiro trimestre alcançou R$ 151 milhões, uma queda de 34% em comparação ao observado no mesmo intervalo de 2018 (R$ 228 milhões).

O recuo é bem mais significativo do que a redução vista no mercado, cuja movimentação financeira demonstrou queda de 9% no quadrimestre deste ano ante os quatro primeiros meses do ano passado.

Segundo o vice-presidente de negócios de atacado, Márcio Hamilton, apesar de o BB ter participado de 26% do total captado no primeiro trimestre, a retração das empresas ante a economia ainda fraca reflete e pesa na composição com prestação de serviços.

“A grande maioria dos empresários ainda espera pela reforma da Previdência e continua alongando suas posições tanto em operações comerciais quanto no mercado de capitais. Pode-se dizer que o segundo semestre deve melhorar, mas ainda vai depender da confiança e da estrutura de capital de cada companhia”, diz.

Na mesma linha, a carteira de crédito de pessoas jurídicas registrou uma queda de 3,7% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2018, de R$ 266,4 bilhões para R$ 2566 bilhões. A queda foi puxada, principalmente, pelas grandes empresas, que mostraram recuo de 13% na mesma comparação, de R$ 120,9 bilhões para R$ 105,1 bilhões. Já as micros, pequenas e médias empresas caíram 3% no período, de R$ 60,8 bilhões para R$ 58,9 bilhões.

Já a carteira de crédito total da instituição, por sua vez, somou R$ 684,2 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de apenas 0,8% em comparação a igual período do ano passado (R$ 678,8 bilhões).

A inadimplência do BB ficou em 2,59% de janeiro a março, recuo de 1,04 ponto percentual contra os mesmos meses de 2018 (3,63%). As ações ordinárias do Banco do Brasil estavam entre as mais negociadas e terminaram com valorização de 0,87%, cotadas a R$ 51,03.