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O mercado de fusões e aquisições crescerá em 2019, puxado pelos setores de energia, tecnologia, saúde e educação. A expectativa de um aumento mais significativo, porém, fica apenas para o segundo semestre, depois de um direcionamento do novo governo.

Dados da TozziniFreire Advogados sobre fusões e aquisições (ou M&A, do inglês Mergers and Acquisitions) apontam que, até novembro, o Brasil teve 723 operações – o que corresponde a 41,5% de todas as movimentações realizadas na América Latina no mesmo período de comparação (1021 transações).

De acordo com a sócia da área de M&A da TozziniFreire, Marcela Ejnisman, o atual momento do mercado é de um “otimismo conservador”.

“O mercado já reaquece. Muitos negócios reativaram operações e retomaram alguns planos para o ano que vem”, explica a executiva, mas pondera que “ainda existem muitas variáveis a serem analisadas pelo setor”.

“Os primeiros meses de 2019 que vão determinar o mercado de M&A nos próximos anos”, acrescentou Ejnisman, da TozziniFreire.

Conforme informações do escritório, o valor das transações até novembro totalizou R$ 173,45 bilhões, uma alta de 3,03% em relação ao mesmo período de 2017.

Segundo a sócia da L.O Baptista, Cássia Monteiro, a melhora nos segmentos de infraestrutura e energia, por exemplo, já começaram a ser sentidas ao final de outubro, mas o mercado ainda está em compasso de espera. “Ainda há muitas incertezas. Por mais que a política seja aberta e liberal, não se sabe a força de aprovação do governo com o Congresso. O impacto forte em M&A ainda vai esperar passar essa lua de mel”, acrescentou a executiva do escritório,

Principais segmentos

Quanto aos setores que mais devem se destacar ao longo do ano que vem, apesar de os especialistas destacarem se tratar de um crescimento mais “pulverizado” no setor, as perspectivas estão maiores para os segmentos de: tecnologia, saúde, energia e educação.

Segundo os dados da TozziniFreire, por exemplo, que registrou o maior número de transações na América Latina até novembro, com 206 movimentações. Em seguida veio o segmento financeiro e de seguros (139) e Saúde, Higiene e Estética, com 107 transações.

Além do segmento de energia, o sócio da Miguel Neto Advogados, Bruno Guarnieri, reforça outros setores.

“Educação já é um setor consolidado, mas que ainda tem potencial. Além disso, tecnologia e saúde têm muito espaço para crescer de forma mais pulverizada. O setor de varejo e o imobiliário, porém, ainda dependem da volta da economia”, conclui Guarnieri.