Publicado em

A expansão do comércio eletrônico e o aumento do uso de mobiles têm pressionado a indústria de pagamentos por transações mais simples e tecnologias mais ágeis. Em entrevista exclusiva ao DCI, Jorge Arbesu, vice-presidente de cibersegurança para a Mastercard na América Latina e Caribe, comenta a necessidade de padrões de segurança no mercado e as perspectivas para o setor de pagamentos até 2022.

Quais os desafios a serem enfrentados pelo mercado de meios de pagamentos nos próximos anos?

Em duas áreas, principalmente. A primeira é na experiência do consumidor, que precisa acontecer de forma cada vez mais rápida e simples. A outra parte, é garantir que todas as mudanças que vemos na dinâmica do mundo digital sejam seguras. A nossa estratégia em experiência e segurança é agressiva. Queremos fazer investimentos significativos para nos prepararmos para o que vai acontecer em 2022 e para estarmos prontos para o sistema do futuro.

O que vocês acreditam que acontecerá em 2022?

O e-commerce cresce significativamente na região da América Latina e Caribe, onde 20% do volume de compras é digital. As transações online, por exemplo, já têm crescido até 2,5 vezes mais do que as físicas nesses segmentos. No Brasil, que é o segundo maior mercado do mundo para a indústria de meios de pagamentos e é onde esse crescimento acontece mais rápido, o comércio eletrônico deve crescer 39% até 2022. Ao mesmo tempo, apesar de a taxa de aprovação no meio digital ser de 66%, a taxa de fraude é 12 vezes maior do que no mundo físico.

São os millenials que têm puxado esse crescimento?

Exatamente. De um lado, temos mais pessoas com acesso a celulares e dispositivos eletrônicos, o que impulsiona a demanda por compras digitais. De outro, a geração que mais busca essas transações são os millenials, com idades entre 21 e 38 anos. Nessas idades, normalmente, já começa a fase da vida onde os gastos aumentam significativamente. Tudo isso acaba influenciando.

Como a Mastercard está se preparando para aderir essas evoluções?

Queremos passar a segurança dos cartões físicos para o online. Para isso, estamos inserindo padrões internacionais relacionados a protocolos de autenticação, por exemplo, onde todas as informações passam pela Mastercard para que possamos apurar a transação. Sem contar as formas de verificação como biometria digital, facial e o uso de senhas. Além disso, há a tokenização, que mascara as verdadeiras informações do consumidor para protegê-lo de fraudes e ataques. É uma oportunidade para colocarmos padrões na indústria.

Que padrões seriam esses?

O mundo online é diferente do físico, uma vez que você consegue fazer uma transação em qualquer lugar do mundo. Então é importante oferecer a mesma experiência em todos os países. Esses padrões permitem uma avaliação do comportamento de cada cliente para garantir a segurança onde quer que ele esteja.

Como separar e evitar que a análise de comportamento vire invasão de privacidade?

A ideia é evitar transações nas quais o consumidor não possa ser identificado. Então o próprio sistema avalia se a localização da operação é a mesma ou perto da área frequentada, se é ou não feita pelo IP usual [identificação única para cada dispositivo conectado em rede] e, até mesmo, a velocidade de digitação. Mas isso tudo é criptografado. São vários parâmetros de comparação que criam uma identidade digital e permitem 99% de certeza de veracidade em cada transação.

Como as particularidades do mercado brasileiro podem influenciar essa evolução?

São as chamadas jabuticabas brasileiras, coisas que só acontecem aqui, como o parcelado do cartão e a nota fiscal paulista ou eletrônica. O nosso foco, porém, é operar nossas soluções independente do ambiente e do mercado, de forma a identificar esses padrões específicos e não se deixar influenciar em nada por eles. Acaba não sendo um desafio porque todo o mercado acaba tendo suas particularidades e precisamos aprender a lidar com isso.

O quanto o mercado já está preparado para inserir essas novas tecnologias?

Existem várias prioridades para cada um dos players e parceiros do mercado, mas vemos um enorme comprometimento. A evolução é completamente positiva e esperamos que seja rápida, já que uma vez que as transações passem para o mundo digital, a taxa de aceitação é muito rápida. Todos querem acompanhar os avanços desse mercado e a expectativa é de que a aceitação dessas tecnologias já ganhe proporções significativas até o final deste ano, pelo menos.