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Por Elizabeth Piper e Kylie MacLellan e William James

LONDRES (Reuters) - O Parlamento do Reino Unido tentará assumir o controle do processo de desfiliação britânica da União Europeia mais uma vez nesta segunda-feira, e alguns parlamentares esperam forçar a primeira-ministra Theresa May a abandonar sua estratégia e buscar laços econômicos fortes com o bloco.

O acordo de separação fechado por May com a UE, que foi rejeitado pelos parlamentares três vezes --apesar de ela ter prometido renunciar se o texto fosse aprovado--, perdeu ainda mais força quando o próprio angariador de votos de seu partido no Legislativo disse que um Brexit mais suave é inevitável depois que a premiê perdeu sua maioria parlamentar em uma eleição de 2017.

Três dias depois da data original para a saída do Reino Unido da UE, ainda não está claro como, quando ou até mesmo se o país deixará o bloco ao qual se uniu 46 anos atrás.

A terceira derrota do acordo de saída de May deixou uma das líderes britânicas mais fracas em uma geração diante de uma crise crescente a respeito do Brexit.

Para sublinhar como a incerteza está prejudicando os negócios, o chefe da gigante industrial alemã Siemens no Reino Unido, Juergen Maier, disse que o país está arruinando sua reputação de estabilidade e exortou os parlamentares a apoiarem uma união alfandegária com a UE.

O Parlamento votará opções diferentes para o Brexit nesta segunda-feira, e possivelmente endossará por maioria uma união alfandegária. Depois disso, May pode tentar uma última cartada submetendo seu pacto a uma nova votação do Parlamento já na quarta-feira.

O partido de May vive um conflito aberto entre os que pressionam por uma união alfandegária com a UE e os eurocéticos que exigem um rompimento mais claro com o bloco.

Julian Smith, angariador de votos de May que é responsável pela disciplina partidária, disse que o governo deveria ter deixado mais claro que a perda de maioria da premiê no Parlamento na eleição antecipada de 2017 "inevitavelmente" o levaria a aceitar uma Brexit mais suave.

Smith ainda disse que alguns ministros tentaram minar a premiê, o "pior exemplo de indisciplina em um gabinete na história política britânica".

As autoridades da UE que acompanham tudo de Bruxelas só tinham um pedido: decidam de uma vez.

"Uma esfinge é um livro aberto comparada com o Reino Unido", disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Entre as opções para o Brexit selecionadas pelo presidente do Parlamento, John Bercow, entre nove propostas de parlamentares para serem analisadas nesta segunda-feira estão uma saída sem acordo, evitar uma saída sem acordo, uma união alfandegária ou um segundo referendo.

(Reportagem adicional de Elizabeth Piper)