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O mercado brasileiro de ações dedicou o primeiro pregão da semana a promover ajustes nos preços das ações e, mesmo sem notícia concreta que justificasse uma melhora de humor, levou o Índice Bovespa a uma alta de 2,17%, aos 91 946,19 pontos.

O avanço das ações no Brasil foi na contramão do desempenho negativo das bolsas de Nova York, que recuaram em meio aos desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Em um ambiente doméstico de incerteza, volatilidade e especulação, acabou por prevalecer uma leitura mais esperançosa dos investidores sobre a reforma da Previdência.

A alta do Ibovespa foi considerada como essencialmente corretiva, mas surpreendeu diversos analistas pela sua magnitude, diante da ausência de fato concreto e da permanência do ambiente de incertezas. Segundo alguns profissionais do mercado de renda variável, pesaram positivamente especulações de que Executivo e Legislativo estariam adiantados nas tratativas para o texto da reforma da Previdência Social.

O relator da reforma, deputado federal, Samuel Moreira (PSDB-SP), disse que está trabalhando em seu parecer a partir da proposta enviada pelo governo. Ele ressaltou que, mesmo que o relatório inclua um substitutivo ao texto da equipe econômica, o objetivo é estabelecer o diálogo com lideranças e com o governo para alcançar um texto capaz de garantir economia de ao menos R$ 1 trilhão em uma década. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse estar confiante no trabalho do relator.

"Vejo a alta do Ibovespa hoje como uma mera correção das perdas recentes, uma vez que o mercado não sabe exatamente o que está acontecendo no Brasil. O clima é de instabilidade na política e na economia. As declarações continuam controversas", disse Pedro Coelho Afonso, economista da PCA Capital.

Segundo Afonso, ainda ecoam negativamente nos mercados as declarações do texto compartilhado por Bolsonaro na semana passada, sinalizando impossibilidade de governar o País sem fazer conchavos. "O investidor estrangeiro não está acostumado com esse tipo de declaração vinda de um presidente. É algo que adiciona incerteza ao mercado, e o estrangeiro odeia incerteza", afirma.

Na análise por ações, o destaque ficou justamente com os papéis que melhor refletem o risco político - e os que mais foram castigados na última semana. Banco do Brasil ON subiu 3,84%, depois de ter acumulado perda superior a 10% na semana passada. Petrobras PN avançou 3,40% e Eletrobras ON e PNB ganharam 4,57% e 3,38%, respectivamente.

Atuação do Banco Central

Em uma sessão de idas e vindas, o dólar subiu mais um degrau ontem, emendando o quarto pregão seguido de alta. A despeito do leilão do Banco Central para rolagem de linhas e de sinais de acerto entre parlamentares e o Ministério da Economia em torno das alterações no texto da reforma da Previdência, investidores mantêm uma postura cautelosa. Com mínima de R$ 4,0788 e máxima de R$ 4,1221, o dólar à vista fechou a R$ 4,1034 (+0,08%) - maior valor de fechamento desde 19 de setembro de 2018 (R$ 4,1308).

No leilão realizado ontem, o Banco Central vendeu a oferta total de US$ 1,25 bilhão, com compromisso de recompra em 3 de janeiro e 2 de abril de 2020. /Estadão Conteúdo