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Depois de um final de 2018 tenso, quase dramático, 2019 se inicia de maneira bem mais positiva, com uma expressiva recuperação nas bolsas de valores ao redor do globo.

“A explicação para isso se resume na mudança de postura do FED, o banco central norte-americano, e nas perspectivas de que os Estados Unidos e a China possam chegar a um acordo comercial no primeiro trimestre deste ano”, diz a CEO-Founder da Sparks Capital, Ana Elisa Bacha Lamounier.

O estresse do mercado no último trimestre do ano passado foi fruto da percepção dos investidores, derivado da análise dos diversos pronunciamentos dos membros da autoridade monetária, bem como das atas das reuniões do comitê de política monetária, de que o aperto monetário colocado em prática pelo FED desde o final de 2015 seria mais forte do que se pensava anteriormente, fruto do forte desempenho da economia, o que gerou uma forte realização nos mercados acionários ao redor do globo. A partir da segunda quinzena de novembro o FED começou a mudar o discurso e após a alta dos juros em dezembro, para 2,5%, passou a comunicar que a política de juros entraria em compasso de espera, passando a ser dependente dos dados a serem divulgados. Esta mudança de postura provocou uma certa recuperação nas bolsas e o estresse do mercado se reduziu substancialmente.

Para Ana Elisa, outro fator importante foi o clima mais cordial nas relações entre os Estados Unidos e a China, indicando que as negociações comerciais colocadas em prática neste primeiro trimestre podem ser decisivas para desanuviar o clima de tensão entre os dois países e propiciar um acordo que possibilite que o comércio internacional siga sem turbulências.

No Brasil o destaque foi a posse do novo governo e a sinalização de que a reforma da Previdência Social, ponto central na administração das contas fiscais, será abrangente e profunda e encaminhada ao Congresso o mais rápido possível. Também os nomes que completam a equipe econômica produziram ótima impressão entre os investidores. “Além disso, alguns dados da economia continuaram a apresentar bom desempenho, como a inflação, que continua a oscilar abaixo dos 4%”, destaca a executiva da Sparks Capital.