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O mercado financeiro precifica novas quedas na taxa básica de juros (Selic) num horizonte de tempo mais próximo. Com isso, a posição em títulos de renda fixa prefixados se intensificará até o próximo ano, quando a melhora da economia deve exigir juros maiores.

Ontem, pela primeira vez no passado recente, o mercado projetou uma taxa Selic abaixo de 6,50% para 2019. A mediana das estimativas no relatório Focus, do Banco Central (BC) ficou em 5,75% até o final deste ano. Para 2020, a expectativa saiu de 7,25% há um mês para 6,50%. Para 2021, foi de 8% para 7,50% na mesma relação e para 2022, ficou em 7,50%.

Segundo o operador de renda fixa da Renascença Corretora, Luiz Laudisio, os investidores já começaram as movimentações baseadas na redução da taxa de juros desde a semana passada, com a divulgação dos “números frustrantes relacionados à atividade econômica”.

“A discussão no mercado está mais para entender qual seria a intensidade da redução por parte do Banco Central do que se ela realmente aconteceria. A curva precificada está em um corte entre 60 e 70 bps [base points] até o final do ano e todos se posicionam para ganhar com isso”, comentou o especialista.

Já para o responsável pela área de produtos da Monte Bravo, Rodrigo Franchini, a mudança drástica do patamar de juros brasileiro serviu como um estímulo maior para os títulos de renda fixa prefixado, situação que deve se intensificar nos próximos meses.

“O que resta fazer é pressionar um crescimento econômico por meio da política monetária. Essa redução de juros vai trazer mais ganhos para o mercado prefixado, principalmente com a expectativa de passagem da reforma [da Previdência] de um jeito não tão desidratado”, comenta.

O movimento, porém, já vem acompanhando a redução na curva de juros futuros desde a mudança na perspectiva sobre a evolução da economia. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2021, por exemplo, passou de 7,05% há um mês atrás para 6,03% na sessão regular de ontem. A taxa para 2023 passou de 8,30% para 7,00% na mesma base de comparação e a taxa do DI para 2025 passou de 8,91% para 7,56% no ajuste de ontem.

“Quando as taxas começaram a cair, o investidor começou a ficar desconfortável com a rentabilidade dos títulos públicos e passou a procurar o mercado de crédito privado. Primeiro pelos retornos maiores e, segundo, pela isenção do imposto de renda. E essa é uma tendência que continua”, avalia o estrategista da RB Investimentos, Daniel Linger.

“A curva futura já está bem precificada para baixo e a sinalização que o mercado está dando é que não acredita em aumento de juros no ano que vem, mas só em 2021. Ninguém trabalha com um cenário de não aprovação da reforma da Previdência, mas se isso acontecesse, as projeções mudariam e nós voltaríamos aos patamares bem mais altos que víamos antes”, completa Franchini, da Monte Bravo.

Relatório Focus

Ainda conforme o Focus do Banco Central (BC), divulgado ontem, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano também recuou de 1,24% há um mês para 0,93% ontem. As projeções para a inflação, por sua vez, passaram de 4,11% para 3,83% na mesma base de comparação.