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A Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) ajustou para cima suas projeções de crescimento para o mercado de seguros neste ano. A estimativa saiu de uma média de 6,9% para algo entre 8% e 10,6%. Para 2020, a expectativa é de alta entre 1% e 8,2%.

Os últimos dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), porém, apontam que os prêmios diretos do mercado segurador como um todo recuou 1,3% em junho contra igual mês de 2018, de R$ 9,298 bilhões para R$ 9,174 bilhões.

“Ainda não temos boas notícias em termos de desempenho. Mas mostramos resiliência e a grande notícia é que as pessoas voltam a querer proteger bens que têm importância em suas vidas. É o caso da cobertura residencial, ou de vida”, afirma o presidente da CNseg, Marcio Coriolano.

Segundo informações da CNSeg, a arrecadação total (excluídos DPVAT e Saúde Suplementar) atingiu R$ 125, 4 bilhões no primeiro semestre deste ano, um aumento de 8,4% em comparação ao mesmo intervalo do ano passado, o maior crescimento para o período desde 2015.

Nesse sentido, o segmento de pessoas avançou 9,3% na mesma base de comparação, enquanto os seguros de danos e responsabilidades subiu 5,5%, calcado nos produtos marítimos e aeronáuticos (+32,4%), crédito e garantias (+29,5%), responsabilidade civil (+20,7%), rural (+11,9%) e patrimonial (11,5%).

Já no segmento de pessoas, os planos de risco subiram 12,8% em igual relação, com alta de 5,7% dos Planos Gerador de Benefício Livre (PGBL) e de 8,2% em Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).

Coriolano reiterou, ainda, que há uma forte agenda de desburocratização e disrupção na confederação e que grande parte segue a linha das 22 propostas elaboradas pela CNSeg em 2018 e entregues ao atual presidente, Jair Bolsonaro.

“Estamos fazendo uma revisão dessas medidas, mas não mudou muito porque a grande diretriz desse documento é a flexibilização das normas para despertar o espírito empresarial e oferecer soluções menos amarradas para alcançar as pessoas”, pondera o executivo.

“O sistema de normas enrijecido não permite que o setor atinja um grande número de pessoas. Também precisamos colocar os seguros no centro das políticas públicas. É uma lufada importante rumo à desregulamentação”, acrescentou.

Em termos de produtos, além dos seguros que já demonstram maior demanda ao longo deste ano, como os seguros de responsabilidade civil e o de riscos cibernéticos, por exemplos, os executivos da confederação também avaliam o potencial de crescimento do setor a partir de novas medidas. Um exemplo é a circular, divulgada pela Susep, que permite o uso de peças não originais em conserto de carros.

“O [seguro de] automóveis pode trazer um trimestre melhor, principalmente com as novas normas de seguros e outras coisas que estão sendo discutidas com o regulador e que podem dar um impulso. Mas os preços ainda são um problema que precisam ser trabalhados”, comenta o presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Antônio Trindade.

Segundo as últimas informações da CNSeg, a arrecadação do seguro automóvel atingiu R$ 2,992 bilhões em abril último, leve alta de 1,4% ante igual mês de 2018 (R$ 2,950).

“Há a lei das licitações que pode tornar obrigatório a contratação de seguros de obras públicas, o que traria um impulso em grandes riscos. É um movimento que vem, com certeza, a partir de 2020”, conclui Trindade. /*A repórter viajou para Brasília a convite da CNSeg.