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A ausência de corte de juros pelo Banco Central no fim deste mês causaria uma “decepção” no mercado, afirmou na última sexta-feira o superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, Fernando Gonçalves.

De acordo com o executivo, o mercado exagerou na dose ao reduzir o prêmio de risco para o Brasil. A curva de DI indicava 85% de probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual da Selic no próximo dia 31. Até o fim do ano, os contratos de DI da B3 colocavam o juro básico em torno de 5,5%, 1 ponto percentual abaixo do atual patamar, de 6,5% ao ano.

“Um não corte representa uma diferença muito grande do que está nos preços. Seria uma decepção para o mercado”, afirmou Gonçalves. Para ele, o BC já vinha destacando a inflação “mais contida”, mas não tinha conforto em cortar os juros porque não havia progresso no andamento da reforma da Previdência.

A pesquisa Focus mostrava redução de 0,25 ponto para o fim de julho, mas o Itaú está no time dos que veem alívio de 0,50 ponto. “Essa combinação de inflação benigna e reformas em andamento é consistente com a comunicação do BC que indica espaço para queda relevante dos juros”, disse.

No começo de julho, o Itaú ainda esperava corte da Selic de 0,25 ponto. O banco passou a ver uma distensão monetária mais intensa com a aprovação do texto principal da reforma das aposentadorias em primeiro turno na Câmara. “As medidas dos núcleos de inflação estão bastante contidas. Nesse contexto, o que faltava era redução do risco fiscal. E isso foi feito com a Previdência.”

O executivo do Itaú chama a atenção para as amplas expectativas de reduções de taxa nos Estados Unidos. A probabilidade de o Fed diminuir a meta para o juro básico de forma mais agressiva, em 0,50 ponto, saltou nos últimos dias e estava em quase 37%. O Fomc e o Copom anunciam suas decisões de política monetária no dia 31 de julho. “Não devemos subestimar a influência que um terá no outro”, reforçou Gonçalves.

O Itaú estima orçamento total de baixa da Selic em 150 pontos-base, em três reduções de 0,50 ponto cada. Assim, a Selic terminaria 2019 numa nova mínima recorde de 5,00%, patamar no qual permaneceria ao longo de 2020.

Tamanha queda, contudo, limitará o efeito positivo no câmbio decorrente da melhora de percepção de risco com as reformas. “Esperamos que o Fed reduza os juros em 75 pontos-base. O diferencial de taxa entre Brasil e EUA continuará caindo, o que reduzirá o estímulo a aplicações na renda fixa brasileira, fator que pesa sobre o real”, afirmou Gonçalves.