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O noticiário doméstico foi um obstáculo à recuperação dos preços no mercado acionário brasileiro no pregão de ontem. Após ter perdido quase 4,5% no recente episódio da guerra comercial entre EUA e China, o Ibovespa teve alta de 0,40%, aos 92.092,44 pontos.

Os acenos mais amistosos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a um acordo comercial com a China favoreceram a recuperação das bolsas europeias e norte-americanas. Por aqui, apesar de o Ibovespa ter tentado pegar carona na redução da aversão ao risco no exterior, não conseguiu ultrapassar a máxima dos 92.529 pontos (+0,87%).

Pesaram as notícias da quebra do sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e da associação do nome de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao pagamento de propinas por parte da Gol, feita em delação premiada de um dos sócios da empresa, Henrique Constantino.

“Vejo hoje [terça] como uma acomodação, porque está muito difícil encontrar um 'upside' no mercado. A guerra comercial ganhou uma dimensão bem maior, mais concreta. Aqui, o tsunami do presidente Jair Bolsonaro gera muita incerteza sobre o que ele quis dizer”, disse Daniel Xavier, economista-chefe do DMI Group. “Não fossem essas questões políticas, o mercado teria voltado com mais vigor”, afirmou.

Outro ponto negativo do dia foi o desânimo do investidor com a economia nacional, em meio aos reiterados sinais de desaceleração. Em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o secretário do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior, disse que a nova projeção do governo para o crescimento da economia deve ficar abaixo dos 2%. Atualmente, é de 2,2%.

As ações de empresas ligadas a commodities terminaram o dia em alta, sob influência da melhora do apetite por risco no exterior. Petrobras PN subiu 0,39%, Vale ON ganhou 0,34% e Gerdau PN avançou 1,01%. No setor financeiro, Banco do Brasil ON perdeu 0,97% e Itaú Unibanco, 0,47%.

Mercado cambial

Depois de uma manhã de volatilidade, alternando altas e baixas, o dólar à vista operou em leve queda ao longo da tarde de ontem e, com uma leve recuperação na reta final dos negócios, fechou a R$ 3,9766, praticamente estável (-0,07%).

A ligeira recuperação veio no bojo de um movimento global de perda de força da moeda norte-americana em relação a divisas emergentes, após as declarações de Trump terem arrefecido os temores a respeito da guerra comercial.

A leitura nas mesas de operação é que o real poderia até ter se fortalecido um pouco mais caso não tivessem surgido novos ruídos no ambiente político doméstico. No mercado futuro, o dólar para junho trabalhou em queda mais forte durante todo o dia e fechou a R$ 3,9835, em baixa de 0,51% O giro foi US$ 20 bilhões, em linha com a média dos últimos dias. No mercado à vista, o giro foi de US$ 1,002 bilhão.

Após começarem a tarde com viés de baixa, os juros futuros ampliaram o recuo e renovaram as mínimas nos vencimentos curtos na reta final da sessão regular. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou com taxa de 6,395%, de 6,410% e o DI para janeiro de 2021 fechou na nova mínima histórica de 6,85%, de 6,921% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2023 caiu de 8,052% para 7,99% e a taxa para janeiro de 2025, de 8,602% para 8,56%. /Estadão Conteúdo