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O aumento de adidos agrícolas brasileiros no exterior deve acelerar a resolução de conflitos e gerar oportunidades de expansão comercial ao País, avaliam especialistas entrevistados pelo DCI.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o número de profissionais especializados em agricultura, alocados pelo governo federal em outros países, passou de quatro pessoas em 2015, para 14 em 2017. Os adidos exercem a função de conselheiro dos diplomatas nas negociações e atividades que envolvam o setor primário.

Para a área técnica do Mapa, a maior presença de adidos pelo mundo agiliza a solução de problemas comerciais. Na época da Operação Carne Fraca, por exemplo, em março de 2017, a suspensão de qualquer restrição ao produto nacional foi revertida em um prazo de três dias nos países em que o Brasil possuía adidos. Já nas nações onde o País não tinha alocado esses profissionais, a resolução ocorreu em um prazo médio de oito dias.

No mês passado, o governo designou adidos agrícolas para os seguintes locais: Pretória, África do Sul; Riade, Arabia Saudita; Buenos Aires, Argentina; Pequim, China; Seul, Coreia do Sul; Nova Delhi, India; Cidade do México, México; Moscou, Russia; Banguecoque, Tailândia em Hanoi, no Vietnã.

Em 2015, o Brasil já tinha representantes na Suíça, local onde está a sede da Organização Mundial do Comércio (OMC); em Tóquio, Japão; Bruxelas, Bélgica e em Washington, nos Estados Unidos.

Ainda conforme a área técnica do Mapa, essas nomeações foram importantes, já que correspondem a países onde o consumo de produtos agrícolas brasileiros é grande, o que abre mais oportunidades para a expansão do nosso mercado.

Estratégia

A pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) Lia Valls, avalia que, por enquanto, o número de adidos agrícolas brasileiros no exterior já é o suficiente, tendo em vista que eles estão nos países mais estratégicos para o Brasil, quando se trata de comércio internacional.

“Nós já temos adidos nos principais locais do mundo, como na sede da OMC, onde ocorrem negociações relevantes. Acredito que o Brasil não tem necessidade de abrir frentes em todos os países, até porque este é um processo caro. É preciso alocar adidos em lugares onde é realmente necessário”, opina Valls.

Em novembro, o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Ribeiro e Silva, afirmou que a meta da pasta é aumentar para 25 o número de adidos agrícolas no exterior. Estes devem atuar em mais de 41 países.

O sócio da consultoria Barral M Jorge, Welber Barral, pontua que a designação desses adidos por parte do Brasil é “extremamente importante”, pois é justamente neste setor o qual muitos países impõem barreiras sanitárias e fitossanitárias aos nossos produtos. Isso acontece porque a agricultura brasileira é “altamente competitiva”, segundo ele.

Para Barral, foi importante o fato de o governo brasileiro ter designado um profissional para a Índia. “É um país que possui uma população imensa, cuja renda local vem se expandindo. Em consequência disso, o consumo de proteínas e alimentos mais elaborados também cresce”, afirma.

“Ademais, a Índia é um país com barreiras importantes que precisam ser eliminadas”, acrescenta o especialista. Segundo dados da Comissão Europeia, a Índia possui, hoje, 23 restrições comerciais.

De acordo com Barral, a expansão de adidos por outros países irá depender do avanço das exportações nacionais. Segundo ele, pode ser que, mais para frente, o País necessite criar um relacionamento técnico com a Nigéria e Indonésia, por exemplo, locais em que há um grande consumo de produtos de origem agrícola.

As exportações brasileiras para a Índia cresceram 52% entre janeiro e novembro deste ano, para US$ 4,258 bilhões, em comparação com igual período de 2016. Somente nas vendas de produtos básicos, houve uma alta de 121%, para US$ 2,659 bilhões, mostram dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

Segundo o Mapa, as tarefas mais relevantes de um adido são a busca por melhores condições de acesso a produtos do agronegócio, análises e estudos sobre as políticas agrícolas e legislações de interesse da agricultura brasileira.

Outras atividades desses profissionais envolvem a participação brasileira em eventos de interesse do agronegócio, questões sanitárias e fitossanitárias, cooperação na área agrícola, além de políticas ambientais, de combate à fome e de desenvolvimento rural.