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O número de contratos de derivativos de commodities caiu 38% na B3, de 10,8 mil no primeiro trimestre do ano passado para apenas 6,7 mil em março de 2019. Na comparação com o último mês de dezembro, a queda foi de 3,1%.

Os dados que reúnem os principais contratos futuros de commodities como soja, café, milho e boi foram detalhados no balanço da Brasil Bolsa Balcão (B3) relativo ao primeiro trimestre do ano.

“Não tem nenhum fator isolado que explica essa queda quando se compara com o primeiro trimestre de 2018, e realmente houve uma queda significativa (-38%), embora se compararmos com o quarto trimestre do ano passado, essa queda foi bem pequena (-3,1%), estamos falando de 6,7 mil contratos em março de 2019 contra 6,9 mil contratos em dezembro de 2018. “Vamos precisar investigar essa queda [1° tri x 1° tri] para voltar com mais informações”, respondeu o diretor de relações com investidores da B3, Rogério Santana.

O DCI apurou com a principal corretora do segmento de commodities, a Terra Investimentos, que a queda no número de contratos está relacionada a um descasamento entre os preços da soja no Brasil e os da Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos (EUA).

“Com a guerra comercial entre EUA e China, os estoques americanos de soja aumentaram. Mas aqui, com uma possível demanda da China, tanto para a soja do Brasil como para a da Argentina, a perspectiva é favorável para os preços. O contrato de soja da B3 é espelho da soja de Chicago”, explicou a operadora de commodities da corretora Terra Investimentos, Bianca Moura.

Ela também contou que diante da perspectiva de uma safra de milho no Brasil até 18% maior, os preços do grão estão recuando na B3. “O contrato de maio vence nas próximas semanas, e muito investidor já está saindo da posição”, argumentou a operadora sobre a redução do número de contratos negociados na B3.

Vale lembrar que o mercado de derivativos de commodities serve para que produtores, empresas industriais e investidores de safras do agronegócio possam se proteger (hedge) das oscilações dos preços, tanto para cima como para baixo.

Giro maior em ações

Quanto ao volume financeiro 48,5% maior em ações à vista para a média de R$ 16,182 bilhões por dia, o diretor de RI da B3 atribuiu esse aumento a três fatores: a valorização das ações neste período de doze meses; a crescimentos de fundos multimercados que giram mais negócios; e o comportamento dos investidores que negociam em alta frequência. “Isso tem haver com o perfil de pessoas físicas que giram acima da média do mercado, que tomam decisões de compra e venda de ações com base em algoritmos”, disse Santana, referindo-se nesse último exemplo, ao perfil de investidores pessoas físicas que compram e vendem ativos com maior frequência (e velocidade).

Santana ainda contou que volatilidade no câmbio também proporcionou um aumento dos negócios em contratos de juros em dólar. “A taxa de câmbio se movimentou significativamente nos últimos meses, e consequentemente, temos visto maior procura proteção em relação a essas variações”, diz o diretor.

De fato, o número de contratos de taxas de juros em dólar aumentou 30,7% para 379,1 mil no primeiro trimestre de 2019, e o número de contratos de taxas de câmbio também cresceu 19,6% para 765,9 mil, na comparação com igual período do ano passado.

Durante a teleconferência com a imprensa, Santana fez questão de ressaltar que houve aumento do número de investidores pessoas físicas tanto no segmento de ações, como no produto Tesouro Direto, o programa de compra e venda de títulos públicos federais pela internet. “Estamos vendo isso com bastante entusiasmo”, diz.