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Um otimismo cauteloso conduziu os negócios no mercado brasileiro de ações na sexta-feira, 28, e o Ibovespa teve alta leve, de 0,24%, após um pregão de baixa volatilidade. Apesar do clima de prudência, os resultados de junho e do semestre foram comemorados.

O índice fechou aos 100.967,20 pontos, com avanço de 4,06% no mês, o segundo maior do ano; e de 14,88% no primeiro semestre.

Para Vítor Miziara, gestor da Criteria Investimentos, três fatores foram determinantes para o bom desempenho do Ibovespa em junho: melhora da expectativa de entendimento comercial entre Estados Unidos e China, avanço na tramitação da reforma da Previdência e aposta em corte de juros no Brasil e no exterior.

"Mas a próxima quinzena será decisiva para as questões domésticas, uma vez que se espera aprovação da reforma antes do recesso parlamentar e ainda não há definição sobre Estados e municípios. Além disso, teremos em julho reunião do Copom, a primeira em que se espera corte de juros, que depende do avanço concreto da reforma", diz.

Na avaliação de Victor Beyruti, da equipe de análise da Guide Investimentos, um dos pontos altos do mês foi a apresentação do relatório da reforma da Previdência com economia fiscal próxima do R$ 1 trilhão em dez anos desejado pelo ministro da Economia, o que surpreendeu positivamente o mercado, que esperava desidratação maior.

As indicações de afrouxamento monetário nos Estados Unidos e na Europa também aumentaram o apetite por risco naqueles mercados e nas bolsas de países emergentes em junho. Depois de terem amargado pesadas perdas em maio, os índices das bolsas de Nova York terminam junho com ganhos superiores a 6%.

No pregão da sexta-feira, as altas foram puxadas principalmente pelas ações de commodities e de energia elétrica. Entre essas, destaque para Eletrobras PNB (+2,59%), Petrobras PN (+0,66%) e Cesp PNB (+2,92%). Entre os bancos, o pregão foi mais fraco, com os papéis seguindo direções opostas. Banco do Brasil ON subiu 0,26%, Itaú Unibanco PN ficou estável (+0,03%) e Bradesco PN perdeu 0,42%.

Mercado de câmbio

O dólar fechou junho com queda de 2,17%, a segunda maior de 2019, atrás apenas de janeiro, quando a moeda americana recuou 5,4%. A semana agitada para o mercado de câmbio terminou com um dia mais calmo nesta sexta-feira, 28, sessão em que o dólar pouco oscilou, mesmo com a disputa entre investidores pela definição da Ptax de junho, referencial usado em contratos cambiais de empresas e em balanços. Na semana passada, o dólar acabou subindo apenas 0,40% e no primeiro semestre, caiu 0,80%.

O dólar fechou a sexta-feira em leve alta de 0,18%, a R$ 3,8404. O dia foi de noticiário esvaziado, mas mesas de câmbio operaram no final da tarde com certa prudência, antes dos eventos importantes do final de semana no G-20.

No mercado doméstico, as atenções também estão voltadas para a reforma da Previdência na comissão especial, com a leitura do relatório prevista para amanhã, terça-feira (2). O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem mostrado confiança que o texto vai ser votado no plenário da casa antes do recesso parlamentar. A perspectiva de avanço da reforma tem ajudado a manter o mercado calmo e o dólar baixo. /Estadão Conteúdo