Publicado em

O maior otimismo com a reforma da Previdência impulsionará a emissão de ações e debêntures neste ano. Nos seis primeiros meses, o mercado de capitais somou R$ 212,6 bilhões em ofertas, volume 23,2% maior do que o visto em igual período de 2018.

Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Na separação por segmento, o maior avanço foi em renda variável, que mais do que triplicou o volume ofertado na comparação do primeiro semestre deste ano contra igual intervalo de 2018, de R$ 6,9 bilhões para um total de R$ 29,3 bilhões.

Em seguida, veio o aumento no mercado externo, de 12,8% na mesma base de comparação, de R$ 42,2 bilhões para R$ 47,6 bilhões. A maior participação nas ofertas, porém, continua com a linha de renda fixa e híbridos, que apresentou um crescimento de 9,7% na mesma relação, de R$ 123,6 bilhões para cerca de R$ 135,7 bilhões.

“Os primeiros seis meses já mostram um maior otimismo na implementação das reformas. O mercado de capitais, com destaque para renda variável, também já começa a reagir e deve trazer avanços ainda maiores com a aprovação total da Previdência”, explica o vice-presidente da associação, José Eduardo Laloni.

Ele pontua que apesar da base mais baixa e da concentração mais forte em ações da Petrobras, Neoenergia, CPFL Energia e NotreDame, o mercado já desponta um número maior de emissões e antecipa um movimento de intensificação para os próximos meses.

“Já temos, inclusive, outras duas emissões em análise (BR Distribuidora e Light) e uma crescente participação dos fundos de investimentos nas ofertas de ações, saindo de 26,6% para 50%. Estamos otimistas e, se continuarmos nesse ritmo, teremos resultados positivos nos próximos semestres”, acrescenta Laloni.

Dívidas privadas

Além da boa perspectiva em relação à captação de recursos por ofertas públicas de ações (o chamado IPO), a maior confiança do empresariado brasileiro em relação à capacidade de recuperação econômica do País também tem impulsionado o mercado de debêntures.

Ainda segundo dados da Anbima, a emissão dessas dívidas privadas alcançou R$ 84,6 bilhões nos primeiros seis meses deste ano, uma alta de 9,2% em relação a igual semestre de 2018, de R$ 77,5 bilhões.

“É importante ressaltar que a duration (prazo de duração) das debêntures tem se alongado. Isso mostra o investidor aceitando prazos mais longos e as empresas aproveitando esse perfil para fazer fundings com tempos maiores”, diz Laloni.

A participação das debêntures com duration de até 3 anos caiu de 36,4% para 15,8% na mesma comparação entre semestres, enquanto as de prazo entre 4 e 6 anos foram de 39,3% para 48%. As dívidas privadas com duração de 7 a 9 anos foram de 11,2% para 23,5% e aquelas com mais de 10 anos foram de 13,1% para 12,8%, na relação.

O vice-presidente da Anbima reforça, também, o otimismo da associação com a agenda para este ano. “Já temos avanços em fomentar os financiamentos de longo prazo, estimular o volume de investimentos e ampliar a liquidez e a base de investidores. São questões positivas que devem impulsionar o mercado de capitais”, conclui o executivo.