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Em relatório sobre setor externo divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou que as autoridades brasileiras mantenham “fortes amortecedores” para o caso de eventos globais desestabilizadores.

Além disso, o FMI recomedou no documento que o País atue com “limitadas” intervenções na cotação do real ante o dólar, a fim de enfrentar volatilidade excessiva do câmbio. O FMI destacou que o regime de câmbio flutuante tem funcionado há anos como um importante fator para absorver choques externos no Brasil, o que colaborou para a formação de reservas cambiais adequadas.

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, disse a repórteres que as disputas sobre comércio e tecnologia estão exercendo impacto fundamental sobre o comércio global, e repetiu a estimativa do Fundo de que as tarifas aplicadas na guerra comercial entre EUA e China podem cortar 0,5% do crescimento econômico global em 2020. Segundo ela, o crescimento do comércio global está em desaceleração como resultado das tensões entre Estados Unidos e China, além de prolongada incerteza sobre tarifas.

O documento indica ainda que a posição externa do Brasil em 2018 estava em linha com o esperado para fundamentos macroeconômicos e “políticas desejadas” para o País no médio prazo. O FMI aponta que o déficit de transações correntes nacional é baixo, mesmo que o indicador tenha avançado como proporção do PIB (de 0,5% em 2017 para 0,8% em 2018) devido à leve melhora da demanda agregada. Além disso, há um nível confortável de reservas internacionais (US$ 375 bilhões em dezembro passado e atualmente próximas de US$ 386 bilhões), diz o Fundo.