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Em meio à crise econômica, o Brasil registrou fechamento de 70,8 mil empresas no ano de 2016, segundo o levantamento Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, divulgado ontem (03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O saldo total de empresas ficou negativo pelo terceiro ano consecutivo, com uma queda de 1,6% em relação ao ano de 2015. Ao todo, havia 4,5 milhões de empresas ativas em 2016, que ocupavam 38,5 milhões de pessoas, sendo 32,0 milhões de assalariados e 6,5 milhões de sócios ou proprietários.

Em 2016, a taxa de entrada das empresas, que mede a proporção de empresas abertas em relação ao número total de empresas caiu pela sétima vez consecutiva, chegando a 14,5%, o menor valor da série histórica iniciada em 2008, ou 463,7 mil novas empresas.

Já a taxa de saída, que mostra a relação entre o número de empresas que fecharam as portas e o total de empresas existentes, cresceu de 15,7% em 2015 para 16,1% em 2016, o equivalente a 719,6 mil empresas encerradas.

Para o economista e especialista em investimentos da STavares Consultoria Financeira, Sérgio Tavares, o cenário negativo registrado em 2016 deve ter sido mantido tanto em 2017 quanto em 2018.

“Apesar da troca de governo após 2016 e adoção de medidas como a reforma trabalhista, o quadro geral das empresas não deve ter apresentado melhora, por não contar com uma mudança positiva dos principais indicadores econômicos”, explica ao DCI.

Em tempos de crise e alto número de desempregados, o empreendedorismo acabou sendo uma solução adotada por muitos brasileiros.

Segundo o IBGE, as empresas empreendedoras representavam apenas 0,9% dos estabelecimentos com trabalhadores assalariados em 2016, mas empregavam o equivalente a 8,3% dos ocupados em empresas.

As principais atividades econômicas com empresas empreendedoras foram comércio; reparação de veículos (25,9%); indústrias de transformação (18,2%); e atividades administrativas e serviços complementares (11,7%).

De acordo com Sérgio Tavares, a recuperação econômica não deve diminuir o número de empreendedores. “O empreendedorismo não será bloqueado por uma possível melhora do cenário econômico, ele será estimulado cada vez mais pelas novas gerações”, diz o especialista.