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Não só o governo baiano é contra o projeto federal de transposição do Rio São Francisco, que prevê investimentos de R$ 4,5 bilhões numa primeira etapa. Empresários do estado também não acreditam na viabilidade do empreendimento. Para um dos maiores empresários do país, Norberto Odebrecht, que falou com exclusividade para o DCI, a empresa que apostar no negócio vai entrar numa grande fria. "Este projeto não vai andar nunca. É uma grande armadilha", comentou Odebrecht, informando que a sua empreiteira não vai participar da licitação para realização das obras. "Não acreditamos no projeto", acrescentou. Segundo ele, o governo federal já programou a abertura das primeiras propostas para o dia 14 de agosto, em Fortaleza, no Ceará.A presidente da Associação Comercial da Bahia, Lise Weckerle, questiona se não seria mais viável fazer a revitalização do Velho Chico com um grande projeto de dragagem e reflorestamento das suas margens e afluentes. Para esclarecer o projeto de transposição, Weckerle reuniu ontem, na entidade, diversos empresários baianos para ouvir o governador Paulo Souto, que é contrário ao projeto.Souto voltou a destacar que a transposição impõe uma restrição ao desenvolvimento futuro do estado. "O projeto é extremamente contraditório e confuso", disse o governador, acrescentando que nem a atual crise política que abala o governo do PT vai fazer com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volte atrás. "Depois de todo este escândalo, Lula já fez discurso dizendo que vai iniciar as obras e que não vai desistir da transposição", lamentou Souto.De acordo com ele, só há duas possibilidades para barrar o projeto. "Ou através do judiciário ou com o veto do Congresso Nacional no orçamento da União para 2006". Atualmente, várias ações contrárias à transposição correm na esfera judicial. A última que se tem notícia foi movida por algumas entidades não-governamentais que pediram, com êxito, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o bloqueio da licitação para a realização das obras. No último dia 23, o governo federal entrou com um recurso para derrubar a decisão do STJ, mas o ministro Edson Vidigal, manteve a suspensão da licitação enquanto não houver o julgamento do mérito.O projeto proposto pelo governo federal prevê transpor as águas do São Francisco para os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, que não são banhados pelo rio, para atender o abastecimento humano e animal. No entanto, o governador Paulo Souto afirma ter argumentos fortes que comprovam a inviabilidade econômico-social do projeto. Entre eles, está a vazão insuficiente do rio. "O governo fala que apenas 26,4 m³/s de água serão retirados, porém o rio só possui 25 m³/s para novos usos", disse.Empresário baiano acredita que projeto não vai andar e garante que não vai participar