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São Paulo - A participação das exportações no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi de 13% em 2015. Segundo levantamento do DCI com dados do Banco Mundial, o País ficou à frente de apenas 10 nações e foi superado por mais de cem.

Foi o nono ano consecutivo em que as vendas para o exterior não representaram 15% da atividade econômica - em 2006, o valor chegou a 15,2%. Na comparação com 2014, entretanto, houve aumento de 1,8 ponto percentual (p.p.).

O tamanho do mercado interno brasileiro seria um dos principais motivos para a colocação ruim do País. "Como a demanda local costuma ser muito elevada, muitas empresas não sentem a necessidade de buscar outros compradores", disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

O especialista também criticou os altos custos para produtores nacionais, que também impediriam uma performance melhor dos exportadores brasileiros.

"Gastamos muito, principalmente com logística e com tributos. Essa situação afeta os nossos preços e a nossa competitividade."

Entre os países com maior apoio das exportações, estão todos os membros do Brics e da América Latina analisados em 2015 - Índia e Venezuela ficaram de fora. A Colômbia (14,7%) marcou a proporção mais próxima da brasileira, enquanto Paraguai (41,9%) e México (35,3%) tiveram maior apoio das vendas internacionais. Já no grupo do Brics, China (22,4%), Rússia (29,5%) e África do Sul (30,9%) tiveram dados bastante superiores aos brasileiros.

As últimas informações da Índia (22,9%), referentes a 2014, também colocam o país à frente do Brasil. Para Castro, uma demanda interna menos expressiva explica a participação maior das exportações no PIB de alguns países, como o Paraguai. Ainda assim, ele afirmou que há grande espaço para crescimento no Brasil.

"Se tivéssemos uma infraestrutura melhor e um sistema tributário mais adequado, poderíamos chegar, no mínimo, aos 20%", disse o entrevistado.

Desenvolvidos

Os resultados da maior parte dos países mais ricos do mundo também ficaram bem acima do brasileiro em 2015.

Entre as potências europeias, destaque para Alemanha (46,9%), Espanha (33,1%) e Itália (30,2%). Fora deste continente, obtiveram dados expressivos a Coreia do Sul (45,9%) e o Canadá (35,9%).

"Muitos desses países tiveram seus processos de industrialização voltados ao comércio exterior, o que causou essa situação. No caso do Brasil, a industrialização teve mais foco no mercado interno", analisou o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Arnaldo Cardoso.

A exceção ficou por conta dos Estados Unidos (12,6%). Os americanos ficaram uma posição abaixo do Brasil, superando apenas nove países.

Os EUA, entretanto, são o segundo maior exportador do planeta, atrás apenas da China. Já as últimas colocações do ranking elaborado pelo DCI foram ocupadas por países pobres: Sudão (6,9%), Burundi (7,1%) e Afeganistão (7,3%).

Saída para a crise

Ainda que as vendas para estrangeiros não tenham grande expressão no Brasil, o setor externo foi responsável pelas notícias econômicas positivas deste ano.

O resultado do PIB do segundo trimestre, por exemplo, indicou avanço de 0,4% dos embarques.

"Sem dúvida a nossa recessão seria menor se apostássemos mais nas exportações", avaliou Castro. Segundo ele, essas vendas deveriam compor ao menos 1% da receita das empresas no País. "Dessa forma, seria mais fácil recorrer à demanda externa em momentos de crise", justificou.

Cardoso seguiu a mesma linha. "Quando a economia se enfraquece, a indústria recua por não estar preparada para direcionar sua produção ao mercado internacional", diz.